terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Acerca dos sonhos ruins

Série "Reflexões Pessoais", Nº 13


Os sonhos ruins não serão escritos. Assim como as experiências negativas, não quero reviver os sonhos ruins através de anotações. Infelizmente, assim como gosto amargo de um remédio, esses sonhos me servirão de alerta, de presságio ou mesmo me mostrará cenários totalmente utópicos.

É sabido, pois ultimamente me ocorre um sentimento estranho que simplesmente não deveria estar aqui. Que volta com uma força profética. Isso é estranho, pois simplesmente não deveria estar aqui.

Sonhos ruins sempre nos mostram lugares estranhos que nunca visitamos, porém são extremamente familiares, praticamente um deja-vú elevado ao cubo. São sentimentos e sensações realmente vívidas.

É importante ressaltar que por “sonho ruim” não estou falando exatamente de pesadelos que envolvem monstros ou coisas horripilantes, não mesmo, longe disso. Um pesadelo com um monstro é muito mais fácil de lidar, pois sabidamente eles não existem, voltando para a realidade num susto, logo vem o alívio.

Esse sonho ruim consiste basicamente na visão geral de um cenário criado por mim em minha vida real, principalmente por causa de escolhas erradas e impensadas. São aqueles sentimentos que estão represados no dia-a-dia, que irrompem bruscamente no sonho, e aí você vê a falta de controle que você tem de si mesmo!

Particularmente eu já quase perdi a capacidade de chorar na vida real, de forma que todos os anseios ficam represados assim. Mas não nos sonhos, lá não existem amarras ou austeridade emocional. Simplesmente desabamos em “lágrimas” virtuais (as vezes elas são até reais, quando percebemos que o travesseiro está todo molhado) choramos copiosamente, sem limite ou pudor, pois é o NOSSO universo, não seremos julgamos por ninguém, a não ser por nossa própria consciência.

E interessante é não saber nada sobre outras pessoas, e dessa forma nossa consciência tentará emular a mente de terceiros, gerando todos os cenários possíveis de possíveis reações por parte da pessoa. Infelizmente é uma experiência triste, pois quando vivenciamos o cenário utópico, vemos que estamos perdendo tempo na vida real e não correr atrás, e quando vêm o distópicos, vemos que a possibilidade real da perda é iminente, e percebemos que apesar daquela ilusão, dentro de nós nada mudou, NUNCA.


"São tempos sombrios, não há como negar. É a hora de decidir se devemos fazer o que é fácil ou o que é certo."

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Da alma ao texto...

Série "Reflexões Pessoais", Nº 12


Ninguém compreende você. E, mesmo que compreendesse isso não vem ao caso. Por vergonha ou medo seus segredos vão continuar seus, guardados lá no fundo da memória e, no máximo, divididos com o travesseiro.

Quem possui dificuldades para falar sobre os sentimentos e não se sente pronto para fazer uma terapia ou algo semelhante, muitas vezes, acaba sofrendo sozinho, se afundando em um universo escuro e apático.

Mas não deveria, aparentemente, pois o papel pode ser a saída, a válvula de escape. Quando confidencia seus desejos e suas frustrações ao papel, você entra em contato direto com suas sensações mais importantes naquele momento. Fazendo isso, encontrar uma saída para um problema ou arrumar um jeito talvez.

Da maneira com que as palavras vão fluindo, talvez, pois a escrita permite o contato com a dor.

Devo salientar que a dor talvez seja mais útil que a alegria, na maioria das vezes. A alegria, sendo passageira, nos deixa bêbado e entorpecido, retirando parte da nossa capacidade de julgamento do real cenário. A dor, mesmo sendo amarga (tal qual o remédio, que tem gosto amargo), nos deixará totalmente a parte das ameaças que nos circunda.


Dessa forma, tudo que está escrito está imortalizado, não serão apenas devaneios momentâneos, mas registra-se aquele sentimento ou aquela dúvida pra consulta posterior.


"No papel, as emoções são percebidas mais claramente, até a letra varia de acordo com o momento"

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Guerra Íntima

Série "Reflexões Pessoais", Nº 11


Serão dias de guerra! Batalhas intensas e lúgubres travadas diariamente! Mas não contra uma legião de guerreiros sedentos pela minha cabeça, não mesmo! O inimigo será eu mesmo! O que não fica atrás, em se tradando de tudo e todas as circunstâncias.

Ficarão pior os dias, ficarão mais escuros e frios, deverei ser fera por morar entre feras, e meus sonhos continuarão a me consumindo, fantasmas antigos me atormentarão e tentarão me fazer fraco, imagens distorcidas de uma realidade já também distorcida!

Não sucumbirei, não irei me refugiar em nenhuma ilusão. Bem, não é de total verdade que não haverei de continuar alimentando pelo menos uma, mas não vejo só como uma ilusão, e se assim for, não é uma ilusão perniciosa como as outras.


Deverei estar atento nos próximos passos, mas a guerra está prestes a começar!

"ser sóbrio em cada palavra minha, sei que serão dias de luta"

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Um passo arriscado

Série "Reflexões Pessoais", Nº 10


Não serei utópico, a ponto de pensar que tudo será mil e uma maravilha, um mar de rosas.
 

A decisão deve ser tomada conscientemente, decidida na plenitude de livre-arbítrio. Sei que isso é duro, porque sendo assim, ninguém tem direito à culpa e a culpa é o abrandamento dos abatidos.

Devo ter ciência que tempos ruins virão, serão noites tortuosas e dias fugazes. A morte do ego será bastante necessária pelos dias que virão, os espelhos irão se tornar seus piores inimigos, bem como esses malditos sonhos que insistem em martelar-nos esses fantasmas nocivos.

Ora, seria muito fácil permanecer na tal zona de conforto, e cada vez mais me afundar nesse mar lamacento de ilusões imbecis, e de quebra levar outras pessoas no processo. Mas não, conforme diversas dúvidas, essa em particular, e me começa logo a surgirem respostas, ao menos um caminho possível.

"Como um fantasma que se refugia na solidão da natureza morta", dizia Augusto dos Anjos. Solidão é fardo, solitude é virtude. E são virtudes verdadeira que busco incessantemente! Em busca da verdadeira Paz, do engrandecimento pessoal, tanto físico como psicológico. Sim, é o que tenho buscado. Não estou em paz, e venho arrastando meus dias, tempo após tempo, me ferindo sem necessidade.

O que fazer quando se há uma teia de situações, te envolvendo a ponto de te imobilizar, como uma teia de uma aranha asquerosa e repugnante, pronto a te devorar como uma fera selvagem? É minha vida, a fera bestial faminta por minha alma, que vai se esvaindo cada vez mais.

Mas só queria realmente saber o momento certeiro. Enquanto isso, vou vivendo uma utopia. Só em sonhos doces, claros, porque os amargos na verdade não são sonho, são a realidade.


 "Ah! Dentro de toda a alma existe a prova, De que a dor como um dardo se renova, Quando o prazer barbaramente a ataca."



Manhã

Série "Poesias e Devaneios", Nº 13


Manhã calma, macia, gelada.

Manhã ácida, estafante, insuportável.

É o simples passo de um dia novo, de uma nova fase, de um erro que trará consequência.

Uma fase,  de uma escolha errada, e do abandono daquilo que se descobriu por ser o amor, passivo e ingrato, impossível de conviver. 

Daqui que se convencionou chamar de amor, dramático e ingrato.

Manhã sem sol, manhã sem ar, manhã maldita, que virá todos os dias.

Todos os dias da minha vida.

"Não haverá, nem será, nem virá a servir..."

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A Análise sobre alguém, por enquanto, vale o que pensamos sobre nós

Série "Contos", Nº 2



Estive analisando ele. Era meu papel, e pude constatar muitas coisas.

Ele não estava bem. Era óbvio. Ele estava mal, e todos estavam percebendo.
Frequentemente chorava quando estava sozinho, ficava em casa quase todos os finais de semana, ficava lá, alimentando diversas teorias, ficava escrevendo, escrevendo, e  alimentando uma tonelada de textos estranhos e obscuros, os quais não divulgava pra ninguém.

Ficava tão focado em seus objetivos, e digo “objetivos” como algo obscuro, obviamente. Ele estava tão isolado socialmente que seus objetivos talvez soariam obscuros para pessoas comuns. Ele era perfeccionista involuntário. Mas sua perfeição era imperfeita, pois lhe causava sofrimento.

Ele estava tão aficionado em um objetivo em específico. Mas no fundo ninguém conhecia na verdade o que era os objetivos reais por atingir seus objetivos.
Eu já conversei com ele algumas vezes, e o que eu digo é que não dá pra definir exatamente o que ele pensava.

Pelo pouco que pude observar, ele já teve um grande amor. Um enorme clichê na vida de um homem, tudo bem, mas faz parte pelo entendimento do que ele é. Estamos preocupado a toa? Não, obviamente, sabemos que esse ódio extremo de algo que não sei definir vai produzir algo grandioso, pro bem ou pro mal.

Ódio extremo? O que seria essa motivação?  Sua motivação encontra-se, pelo que eu pude entender, em suas decepções. E isso é interessante, pois nada maior que sentimentos fortes para motivar mudanças e algo grandioso, como o ódio.

Me desculpe, mas eu acredito no ódio como forma de motivação, ele em tese está certa. Fui contratado para analisa-lo e muito provavelmente depreciá-lo, porém não posso negar que estão tão de acordo com sua ideologia que infelizmente posso ter sido contaminado por ela, ou não, mas ele me falava sempre algumas reais.

Mas na verdade, por conviver com ele, pude aprender algumas coisas, sendo elas:

-Não podemos ser suscetíveis à qualquer ideologia que nos limitem como seres humanos.
-Somos passionais por natureza, mas isso não nos limita a sermos sempre passionais em todas as atitudes, e eu acho que é muito pelo contrário

-Um homem precisa ser muito forte para chorar em público. Assim, será preciso um homem ainda mais forte para rir dele, mas ainda sim, ele deverá evitar ai máximo chorar, seja em público ou particular.

- Independente de vontades e ideologias, somos seres basicamente movidos por desejos estranhos e muitas vezes irreais. Somos suscetíveis.

-Ilusões nos destroem, a idealização de pessoas podem nos destruir de forma impressionante e que nem imaginamos.

-Seres humanos são imperfeitos por si só, tão imperfeitos que muitos de nós consideramos outros seres humanos no mesmo patamar dos nossos como seres superiores à nós, e isso é um erro fugaz.


Não pude mais ficar tanto tempo pra acompanhar suas idéias, pois ele mesmo preferiu que eu me retirasse, preferi respeitar, principalmente pela disciplina.

O auto-respeito é a raiz da disciplina; a noção de dignidade cresce com a habilidade de dizer não a si mesmo.



sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Utópico

Série "Curtas", Nº 13


Esse é um cenário improvável, mas devo ressaltar o meu desconhecimento do cenário atual. Esse cenário é o mais utópico possível. 

Ela descobre efetivamente o autor de algumas cartas, algo que ela procurou durante um bom tempo, e ela realmente não sabia quem o mesmo, mas eu descubro uma forma sutil (não sei qual) de me aproximar dela. 

E de fato ela tenha se encantado pelas palavras primeiramente (improvável), ela procurou tentar saber desesperadamente durante um tempo de quem era de fato a carta que foi deixada na caixa de correios em um certo dia, a qual estava anônima, e quando ela descobrir que for eu, ela irá desacreditar durante alguns segundos, sentirá um calafrio na espinha por saber que aquela antiga presença, aquele cara estranho e diferente, era realmente a pessoa apaixonado por ela.

Inacreditável seria a minha reação  de saber a alegria que ela teve, a alegria será compartilhada entre nós dois e nada terá que ser dito ou argumentado, simplesmente iremos cair um do noutro em um beijo extremamente apaixonado e intenso, e finalmente sentirei o gosto do seu beijo, o cheiro de sua pele e de seu cabelo, e é esse cheiro que eu terei certeza que é o que irei sentir pro resto da minha vida...


"É grande a satisfação que sinto ao saber de sua presença, seu caminhar, e eventual olhar..."

Certo, Errado

Série "Curtas", Nº 12


Virtualidade, não é realmente necessário, mas se tudo que se sente é intenso, porém muitas vezes pouco intenso, tudo fica fora de foco, sempre que antigos caminhos são percorridos de forma estranha e sem aquela permissividade que se poderia permitir! Nada é feito da maneira correta! O amor perdido continua perdido, e vai continuar perdido!

Ficar fixo no olhar? De que adianta, o que ela quer que eu faça, o que ela pode querer de mim? Oque eu posso oferecer à ela? 

Está tudo errado? Está tudo certo?

"como a convivência humana é complicada, os relacionamento são complicados! As cartas são tão efêmeras, pedaços de papel inertes"

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Não importo, estou correndo

Série "Reflexões Pessoais", Nº 9


Não poderia dizer que sei exatamente o que eu estou fazendo, pois de fato não sei.

Não saberia explicar, por mais que muitos me cobrem direto, até quando posso levar uma situação ambígua como essa, pois não posso afirmar com toda certeza.

Muito menos saber com todas as certezas do mundo quais serão, ou seriam, as possíveis consequências de tudo isso.

Sim, a zona de conforto deve ser abandonada o mais rápido possível, devemos sim arriscar.

Mas do que importa se uma nuvem aparece acima de minha cabeça, um feixe de luz vem brilhando? Simplesmente eu corri de tudo isso, muito simples, não?

Mas na prática eu mesmo não quero muito pensar nisso. Não ligo em nada pra supostas consequências que nem mesmo estão no plano das ideias. Quero simplesmente para de pensar um pouco nisso, simplesmente vou correndo.

"É risível? Cada segundo de escrita poderia ser! Mas não me arrependo! "

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Não tenho nenhuma fotografia

Série "Poesias e Devaneios", Nº 12


Não tenho nenhuma fotografia sua. Não, e não adianta ficar impressionada, eu não tenho nenhuma foto sua, e isso me faz bem.

Não faço questão de ter uma imagem pré-fabricada sua, prefiro exatamente a imagem que tenho na minha memória e no meu coração, prefiro saber que você é viva em cada canto e em cada pixel de minha memória, prefiro ter você em cada centímetro de sorriso, os quais não foram pra mim.

Prefiro nunca ter uma fotografia tua, e nunca vou ter, pois sua imagem nunca deixará de ser viva em minha memória!

Sigo te amando, e te querendo.


"A questão é que eu sigo te amando! Sem você saber obviamente! "

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Desejo, Ensejo

Série "Poesias e Devaneios", Nº 11


Talvez, transbordando no papel, eu transbordo meus sentimentos.
Talvez, transbordando esperança, eu abandono meus discernimentos.
Mas eu digo que posso, posso insuflar cada desejo.
Em cada segundo poder configurar com cada ensejo
Não posso disse exatamente como te quero tanto
Mas só posso dizer que o amor vem, não dependendo de desejo, entretanto...

Te amo, te quero. 

"eu daria tudo agora pra saber a sua reação sobre tudo isso"

Ausência

Série "Reflexões Pessoais", Nº 8


A falta de continuidade. Normal, ou não. Duas ou talvez três pessoas acabam por me cobrar a repentina falta de texto aqui. Mas não há nada pra se fazer no momento. A falta de continuidade está aliada à minha desmotivação. 

Sim, ando desmotivado. Dúvidas e anseios. Normal ou não, sempre tentei manter mais ou menos um ritmo constante de escritas.

É fato que só passo a realmente existir no papel, em cada palavra letra ou vírgula. Isso é a essência do que eu realmente sou, pois não demonstro exatamente meu eu, de forma que quem me conhece talvez não me conheça por si só.

Triste é o fato de falar e não poder ouvir a resposta. Triste o fato de parte do que sentimos ser colocado no papel, ser lido por outra pessoa, mas não poder receber a resposta, ao menos que essa situação seja temporária, está durando mais tempo que o necessário, com praticamente nenhuma perspectiva de mudança a curto prazo. Estou levando a situação como posso.

"não irei ficar no anonimato por muito tempo"

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Esmaecer

Série "Poesias e Devaneios", Nº 10



Interpretações são necessárias...
Sentidos figurados não fazem fatos...
Palavras vão correndo velozmente...
Muitas vezes são mal notadas...
Quiçá lidas, ou interiorizadas...
A arte do monologo publico não é efêmera...
Trago comigo a solitude, a sombra do ser...
Sou simplesmente algo que fujo...
Derramas de letras, palavras, verbos...
Não disfarçarão suas atitudes insensatas...
De que fizeram ou de que amaram...
Ou até ainda amam...
Como eu amo...
Ou és indiferente?
A noite, a lua, o fim...

O fim?


"...provavelmente em pensamento, provavelmente não da forma que eu queria, não da forma que deveria ter sido..."

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Tarde demais...

Série "Curtas", Nº 11


Tarde demais a conheci, por fim; cedo demais, sem conhecê-la, amei-a profundamente...

W. Shakespeare



"Pois afinal, te quero e cada vez mais!"

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O Dia em que ele encontrou sua Paz

Série "Diálogos Efêmeros", Nº 1


Ela: Como assim? Não estou entendendo!

Ele: O que você não entende? Sabe, você acha que tudo é confuso só pra você, mas pra mim também sempre foi muito confuso isso tudo! Os sentimentos vão me surgindo, mas nem sempre soube lidar com eles de forma adequada!

Ela: Mas você não me odiava?

Ele: Odiava como?

Ela: Já me ligou uma vez me xingando, bastante ríspido, como se quisesse defender aquela menina lá... Sabe, acho isso tudo muito estranho, isso foi meio que um choque pra mim...

Ele: Olha, confesso que tudo aquilo foi uma encenação ridícula, e o problema é que muitas vezes a gente compra uma imagem pré-fabricada de outras pessoas, tomando apenas comentários indecorosos, o que eu sempre evitei. Eles te odiavam, falavam mal de você o tempo todo, isso foi me enojando... Mas eu peço desculpas por aquele dia.

Ela: Está desculpado. Realmente, e isso é recíproco, não tenho nenhuma empatia por eles, são uns boçais.

Ele: Então, e porque sem querer eu acabava vendo suas fotos, e olhando bem nos seus olhos, serenos, negros, e algo que não sabia até então explicar me invadia, e com o tempo fui percebendo realmente o que eu sinto.

Ela: Você me deixou confusa com tantas cartas! Todas elas anônimas, me deixou maluca! Nossa, não sei o que dizer, estou sem palavras!

Ele: Realmente, na verdade não sabia exatamente como te dizer, e cada vez que isso ficava maior e maior dentro de mim, mais ansioso eu ficava, e olha que é coisa que eu nunca passei na vida, nunca tive esse tipo de dificuldade de chegar em uma garota.

Ela: Que loucura isso tudo!

Ele: E olha, não precisarei dizer muito do que eu realmente sinto, pois você já deve saber de cor e salteado, tendo em vista a vasta quantidade de cartas!

Ela: Realmente, de certa forma, mas eu tento entender um pouco, estou tentando encaixar todas as informação de forma mais conexa.

Ele: Entendo. E serei bastante compreensivo com a situação, visto que você namora, não é mesmo?

Ela: Olha... Deixa eu lhe dizer uma coisa...
(um breve silêncio)

Ele: Sim? O que você tem pra me dizer? Agora deveria lhe escutar, pois eu tenho lhe falado- e escrito- tanto nesses últimos meses, estou a todo ouvido.

Ela: Olha, sim, namoro, e incrivelmente, não sei como, você soube captar tão perfeitamente o que eu sentia... Você, não sei como, soube compreender o marasmo, o niilismo e a infrutiferidade desse relacionamento que eu me encontro, onde estive nesses últimos tempos perdida no solipsismo extremo. Agora, é tão inusitada essa situação que até me dá vontade de rir...

Ele: Entendo a parte que toca no seu relacionamento, eu sempre via você triste, cabisbaixa, eu via você, eu estava lá...

Ela: (Risos)

Ele: (Risos)

Ela: Pois é né, era você, com aquela expressão fechada, você passava me olhando né, eu sabia!

Ele: Então, entretendo, porque você acha a situação inusitada? Afinal, cá estou, finalmente! Acabou o mistério, acabou todo aquele lance de admirador secreto, acabou, eu revelei o mistério, eu sou o mistério, e não menos apaixonado!

Ela: Eu sei, só que veja bem, sempre gostei secretamente de uma certa pessoa. Uma atração estranha, proibida, se relacionava com uma suposta “melhor amiga”, cuja amizade foi tão sólida como areia. Apesar de continuar nutrindo aquele ódio visceral por aquelas pessoas, em relação a ele eu só alimentava aquela paixão secreta. Mas era tão distante, tão difícil...

Ele: (...)

Ela: De repente não voltei mais naquela cidade, e por uma felicidade extrema e aliviante, ele veio a permanecer e trabalhar aqui, na cidade que eu moro! Mas tudo continuava tão distante, tão fechado para mim. Em contrapartida comecei a receber as estranhas e misteriosas cartas anônimas, que agora você revelou serem suas, e confesso que sim, me apaixonei pela sua retórica, pela forma com que você usa as palavras para descrever sua alma e seus sentimentos. A cada carta eu ficava cada vez mais apaixonada e instigada a descobrir quem era...

(Ele está atônito nesse momento, e com o coração cada vez mais acelerado)

Ela: Tentava em cada milímetro daquelas folhas descobrir vestígios de quem seria você, imaginava tantas possibilidades, tantas pessoas, mas nada se encaixava, ninguém do meu ciclo social, nenhum garoto saberia escrever dessa forma, mas o choque maior aconteceu!

Ele: O que? Me diga, o que?
(ele já não se controla mais de ansiedade, a respiração cada vez mais ofegante)

Ele: Agora, quem diria, eu nunca iria imaginar uma coisa dessas, VOCÊ é o cara das cartas, e ao mesmo tempo, é a minha PAIXÃO SECRETA. O tempo todo, foi você, você esteve lá, me observando, com esse olhar severo e fechado, que na minha infinita ingenuidade não sabia que guardava dentro de si esse sentimento, do que eu também compartilho.


(Nesse momento ambos os corações estavam acelerados, o inevitável estava para ocorrer, então o beijo aconteceu, e ele soube que era muito mais doce e macio que no seus mais ternos sonhos, e o beijo selou pra sempre a união indissolúvel. Finalmente ele encontrou sua paz)

"...por que acho que por mais estranho e doido que seja o que eu sinto por você, não chega a ser platônico! Eu te amo, eu te quero"




quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Não sei como agir

Série "Curtas", Nº 10


Eu não sei como agir, eu simplesmente não sei! É como se eu tivesse quinze anos novamente, mas em meus sonhos você habita, não vejo nada além de você do meu lado! 

Te quero, te quero muito!

"Todos sabem o quanto te quero!"

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

De onde vem a beleza?

Série "Poesias e Devaneios", Nº 9

A beleza vem da tristeza, não há beleza no riso desenfreado...
...não há beleza sem fardo...

...não há literatura sem vilões e lágrimas...

A poesia de quem já sofre é calma, alegre, porque não há mais nada pra vencer...

Só quem sofre é realmente feliz: aquele que sabe exatamente o gosto do alívio.

Que bom que sentimos dor!


Sinal que estamos vivos!


"Chorar é diminuir a profundidade da dor."

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Carta: "Cada vez mais"

Série "Cartas Perdidas", Nº 8


Incrível como tento usar cada palavra e cada frase a favor do que sinto, mas não é algo simples. Eu e você somos são diferentes, em tudo, pertencemos a mundos diferentes, da mesma forma que pertencemos no mesmo mundo, no mesmo chão pisamos, cada dia que passa, são tantas cartas que eu já escrevi pra você, muitas pessoas simplesmente acham risível o que eu sinto.

É risível? Cada segundo de escrita poderia ser! Mas não me arrependo! Te amar foi um erro? Foi um erro mesmo? Mas eu erro diversas vezes seguidas, se for preciso! 

Olha por eu estou sofrendo e não faz pouco tempo! Engraçado tanto que eu não consigo me direcionar a você sem lembrar de paixão!

Amor, se você soubesse o quando tempo já estou te amando! Talvez você dê gargalhadas eternas, mas acho que ficará mais curiosa! Eu te amo e estou te amando demais, sendo que meu sentimento está crescendo a cada minuto, 

independente dos meus conflitos sentimentais! Eu sim tenho conflitos de sentimentos mas quando o seu nome está no meio, sempre estará! Independente do que disserem!
Mas é uma coisa estranha! Demais estranho é cada letra e palavra que surge quando eu peno em você! 

São tantas cartas que já foram escritas, ficaria surpreso que a carta aqui presente estaria chegando até você

São diversos clichês românticos, e não tem limites! Não sei mas em diversas vezes eu falei pra você o quanto eu amo você, mas provavelmente em pensamento, provavelmente não da forma que eu queria, provavelmente não da formar que deveria ter sido, mas eu te amo tanto, te amo mai que tudo, você tem se tornado uma paixão intensa pra mim, mas não platônica, por que acho que por mais estranho e doido que seja o que eu sinto por você, não chega a ser platônico! 

Eu te amo tanto!


"não sei descrever exatamente como eu poderia descrever o que sinto"



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Carta: "Estive ausente"

Série "Cartas Perdidas", Nº 7


Estive ausente. Por muito tempo!

Uma carta só e nada, nada mais, nenhum sinal, e simplesmente tudo é misterioso, tudo. Nada sabe sobre mim, sobre o que sinto. Não existirá maneira fácil pra dizer, mas saiba que não estou tão ausente assim, ainda continuo te vendo, te admirando, te almejando!

De maneira nenhuma se sinta constrangida, ou perseguida, nunca! Não é bem por ai o que eu pretendo te passar. Saiba que é tão estranho eu tentar transmitir o que sinto, mas de certa forma nunca consigo transmitir da maneira certa.

Estive realmente ausente, mas apenas nas palavras! Meus sentimentos e pensamentos nunca se ausentaram dessa ilusão gostosa e fantasiosa nem um segundo, nunca! É algo extremamente improvável, mas não menos real e plausível!

Ainda continuo notando em você um olhar vazio, distante, e perdido. Eu sinto que você está triste, está procurando uma baliza em tua vida, que ainda não foi achada. Eu talvez esteja tão enganado quando for possível, mas também possa estar certo. Nada mudou em mim, nenhum milímetro de pensamento e sentimento, é evidente.


Não será algo tão difícil assim de se constatar, mas saiba que nada mudou.

"Besteira é pensar que ausência seria traduzida como desinteresse"

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Carta: "Boa tarde senhorita!"

Série "Cartas Perdidas", Nº 6


É grande a satisfação que sinto ao saber de vossa presença no presente recinto virtual, poderia por hora e horas, paginas e paginas, tentar descrever a satisfação e prazer que sinto em conversar e estar na presença, ainda que virtual, de vossa senhoria, mas não saberia ao certo...

Descrever com a adequada eloquência a vasta parte do sentimento que me é despertado quando isso ocorre, que o clima e os bons ventos do sul de Minas Gerais possam ter-lhe aumentado a beleza, o que julgo ser impossível.

Porem creio ser de minha nobreza de espirito retratar o meu sentimento puro e sincero, e que brota pela sua imagem e sua pessoa real, e que cada dia mais se torna mais e mais selvagem e civilizado ao mesmo tempo, e que ao mesmo tempo quer casar na igreja e fugir pro matagal!

Como poder descrever em si um sentimento que brota no fundo da natureza e brota na raiz da civilização romana-cristã?

Como solicitar de nosso único senhor Jesus Cristo e da nossa Mãe-Natureza-Pagã a benção desse amor único, numa união imprevisivelmente ecumênica, impraticável porém único nesse globo?

Como unir o profano e o sagrado ao mesmo tempo?

Como saber que o prazer é o mesmo que o ser, o mesmo que ter, o mesmo que amar, o mesmo que existir? onde todos os sentimentos entram em sinestesia? Como?

Como saber que nosso amor é proibindo, inexistente nos planos terrenos, porem é existente em um plano imaterial e que vive e remexe em minha alma a cada segundo e a cada batida de diástole e sístole cardíaca? E não?

Meu coração não é um simples órgão hidráulico não, apesar das diversas paginas milhares mil, daquela tal de cardiologia?

Meu coração é o que me faz sentir, ele é minha alma emocional, me faz sentir amor, puro e simples, total por aquilo que nem eu mesmo compreendo?
Deus ou a Natureza?

Me dotou de um órgão que se acelera perto do meu amor...perto da pessoa que eu tanto amo! Me faz acelerar quando se que seu sorriso é sincero  olhando pra mim mas fez ser tão incerto!

Num órgão que é descrito tão friamente por diversas páginas de livros de cardiologia como uma reles bomba hidráulica de sangue? Não é! Não e não!


Eu te amo e nunca que nada disso iria mudar! Independente de qualquer coisa!


"Nada me faz perder a esperança no amor impossível"

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Morremos não só uma vez mas muitas vezes na vida!

Série "Reflexões Pessoais", Nº 7


Não existe apenas uma morte, aquela terminal, física, definitiva!
A morte é um conceito tão subjetivo quanto o amor! E devemos saber de antemão que pra haver a vida é imprescindível haver a morte! A morte não é algo contra a vida, e sim algo indispensável à vida. Toda natureza é perfeita em seu ciclo biológico, tudo deve estar em equilíbrio, e entrar nele.

A nossa própria vida é prova de que a morte está presente, e não digo morte de familiares e amigos, mas sim da nossa própria morte. Morremos muitas vezes em vida!  Na nossa vida!  Afinal, lembra daquele bebê recém nascido que você, eu, nós fomos? Onde está aquele ser? Não adianta vir me falar que ele “é você”, porque de fato não é! Sob qualquer circunstância, ELE MORREU, sim! Morreu para dar lugar a outro avatar biológico que sucedeu seu próprio crescimento! Aquele bebê um dia foi você, mas na prática não é mais você, ele teve de simplesmente sumir da existência (o que seria a morte senão o fim da existência biológica em si) para dar lugar a outra coisa, é o que ensina o ciclo natural da vida!

A morte em si é extremamente biológica, e quem disse que crescer é algo gostoso? Quanto mais crianças, mais protegidos e mais inocentes somos, O processo de crescimento em si vai nos mostrando a grandeza, frieza e crueldade em si do mundo lá fora, que vai ficando pequeno e ao mesmo tempo grande a medida do tempo.

Quantas vezes morremos em vida? Impossível calcular, tendo em vista a particularidade da vida de cada um, morremos para renascer, e isso no inicio tem muito a ver com nossa forma física, ao menos nos primeiros quinze anos de vida, onde saímos de bebês para crianças pequenas, crianças grandes, pré-adolescentes e por ai vai, as mudanças são mais físicas. Destarte, após isso, as mortes são menos físicas, porém ai sim a coisa fica mais complicada, dependendo do desdobramento de vida de cada um, pois a morte não será mais física.

A vida em si nos impinge sofrimento, decepções, desilusões, arrependimentos. São fustigações mentais e sentimentais que a todo momento nos atingem, onde percebemos que a vida de fato nos testa a todo segundo. O extremo da felicidade é sucedido pelo extremo da tristeza num piscar de olhos, de forma que após essas sucessivas levas turbulentas de fatos e acontecimentos nos fazem “morrer” para dar lugar a OUTRA PESSOA, essa sim preparada para enfrentar e vencer os tais obstáculos.

Tudo tem um preço, as marcas das guerras mentais e psicológicas ainda ficam, heranças de outro “eu”, que não existe mais, assim como muitos “eus” que morreram desde mais de duas décadas atrás.


Mas um grande amigo meu me disse que de fato isso se chama AMADURECIMENTO.


"Estou virando cinzas pra depois me solidificar por completo, estou saindo por baixo, mas pra voltar por cima, é só uma questão de tempo"

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Um pouco de verdade

Série "Curtas", Nº 9


Você não ama aquela garota, você não ama a pessoa dela, você nem conhece aquela garota, você só criou uma imagem baseada na fisionomia e expressão corporal dela pra poder suprir a falta de amor próprio que sempre te atingiu.

Você quer amar alguém tanto, e você ama ela como a imagem de alguém que você nunca vai ser e nunca ninguém será. Você não ama ela de fato, você criou uma imagem que representa o seu ego, você quer amar o seu próprio eu.

Suas supostas paixões secretas nunca existiram no mundo real de fato, essa sua grande paixão que você divulga a quatro ventos é nada mais que a imagem de alguém que jamais, em hipótese alguma poderia existir, essa pessoa que você tanto ama (ou quer amar) nunca existiu, e nunca vai existir, sendo nada mais que o espelho do seu ego.

O dia que você entender isso todo o resto será simples de ser absorvido.

Por A.G.

("Um dia tudo será excelente, eis a nossa esperança; hoje tudo corre pelo melhor, eis a nossa ilusão.")