quarta-feira, 6 de agosto de 2014

"É como se eu tivesse vivido toda uma vida antes, mas eu não me lembro exatamente dela"

Série "Frases de Filmes", Nº 2

(Paramount Pictures (EUA); Warner Bros.)


"The Curious Case of Benjamin Button" (O Curioso Caso de Benjamin Button (título no Brasil) é um filme de drama estadunidense lançado em 2008, baseado em um conto homônimo lançado em 1921 pelo escritor F. Scott Fitzgerald, é a história de um homem, Benjamin, que em 1918 nasce com a aparência envelhecida e por isso, pensando que ele é um monstro, seu pai o abandona. Benjamin é criado num lar assistencial de idosos e, enquanto pequeno, todos pensavam que ele iria acabar por morrer rapidamente. Durante a sua infância conhece Daisy, o grande amor da sua vida. Apesar de ninguém acreditar na sua sobrevivência, ele vai ficando mais novo ao longo dos anos, vendo os outros ao seu redor envelhecerem.

No decorrer do filme o personagem que nasce velho vai se tornando jovem a medida do tempo. Sendo que nos momentos finais do filme o personagem principal está com aparência de um garoto de 8 anos de idade, apesar de estar com idade mental de cerca de 80 anos, e apresentando sintomas de esquizofrenia e cada vez mais se desconectando da realidade em si.

É proferida pelo "garoto" a frase acima citada. É tão triste e profunda que decidi por mim mesmo analisar o quão profunda ela pode ser.

Após toda uma vida bem vivida pelo personagem, repleta de amores, paixões, decepções, despedidas, sofrimentos, lágrimas, risadas, todo um tecido de uma vida, o fato do personagem estar passando por um processo de esquizofrenia e desconexão progressiva da realidade o faz ter apenas lapso de tudo que foi vivido.

Tão triste e verdadeiro que podemos sentir na pele a angústia de Beijamin.

Afinal, é toda uma vida inteira vivida, e quantas vezes não temos essa mesma sensação? Algo que vai muito além do simples "Deja-vú", mas sim a sensação que vivemos toda uma vida antes, mas não lembramos direito dela. 

Algo que acontece quando nos apaixonamos de forma arrebatadora, onde batemos nosso olha junto com o da pessoa e simplesmente somos invadidos por um turbilhão de sensação e algo como "lembranças" de tudo que vivemos (ou poderíamos ter vivido) com essa pessoa, todos os momentos, viagens, abraços, beijos, risadas, até mesmo brigas, tudo isso nos invade como uma onda turbulenta.

O que nos ocorre quando perdemos o que nos é precioso, quando do conformismo nos é imposto, a vida que vivemos antes, que na verdade poderíamos ter vivido, mas o desejo é tão grande que nossa mente adota pra si memórias falsas, que nos parecem tão vívidas como se reais fossem.

Um comentário:

Larissa Silva disse...

"É como se eu tivesse vivido toda uma vida antes, mas eu não me lembro exatamente dela"
É realmente muito profunda, e apesar de ser apenas uma frase, ela tem um grande poder, te faz pensar em um turbilhão de coisas!