terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A Análise sobre alguém, por enquanto, vale o que pensamos sobre nós

Série "Contos", Nº 2



Estive analisando ele. Era meu papel, e pude constatar muitas coisas.

Ele não estava bem. Era óbvio. Ele estava mal, e todos estavam percebendo.
Frequentemente chorava quando estava sozinho, ficava em casa quase todos os finais de semana, ficava lá, alimentando diversas teorias, ficava escrevendo, escrevendo, e  alimentando uma tonelada de textos estranhos e obscuros, os quais não divulgava pra ninguém.

Ficava tão focado em seus objetivos, e digo “objetivos” como algo obscuro, obviamente. Ele estava tão isolado socialmente que seus objetivos talvez soariam obscuros para pessoas comuns. Ele era perfeccionista involuntário. Mas sua perfeição era imperfeita, pois lhe causava sofrimento.

Ele estava tão aficionado em um objetivo em específico. Mas no fundo ninguém conhecia na verdade o que era os objetivos reais por atingir seus objetivos.
Eu já conversei com ele algumas vezes, e o que eu digo é que não dá pra definir exatamente o que ele pensava.

Pelo pouco que pude observar, ele já teve um grande amor. Um enorme clichê na vida de um homem, tudo bem, mas faz parte pelo entendimento do que ele é. Estamos preocupado a toa? Não, obviamente, sabemos que esse ódio extremo de algo que não sei definir vai produzir algo grandioso, pro bem ou pro mal.

Ódio extremo? O que seria essa motivação?  Sua motivação encontra-se, pelo que eu pude entender, em suas decepções. E isso é interessante, pois nada maior que sentimentos fortes para motivar mudanças e algo grandioso, como o ódio.

Me desculpe, mas eu acredito no ódio como forma de motivação, ele em tese está certa. Fui contratado para analisa-lo e muito provavelmente depreciá-lo, porém não posso negar que estão tão de acordo com sua ideologia que infelizmente posso ter sido contaminado por ela, ou não, mas ele me falava sempre algumas reais.

Mas na verdade, por conviver com ele, pude aprender algumas coisas, sendo elas:

-Não podemos ser suscetíveis à qualquer ideologia que nos limitem como seres humanos.
-Somos passionais por natureza, mas isso não nos limita a sermos sempre passionais em todas as atitudes, e eu acho que é muito pelo contrário

-Um homem precisa ser muito forte para chorar em público. Assim, será preciso um homem ainda mais forte para rir dele, mas ainda sim, ele deverá evitar ai máximo chorar, seja em público ou particular.

- Independente de vontades e ideologias, somos seres basicamente movidos por desejos estranhos e muitas vezes irreais. Somos suscetíveis.

-Ilusões nos destroem, a idealização de pessoas podem nos destruir de forma impressionante e que nem imaginamos.

-Seres humanos são imperfeitos por si só, tão imperfeitos que muitos de nós consideramos outros seres humanos no mesmo patamar dos nossos como seres superiores à nós, e isso é um erro fugaz.


Não pude mais ficar tanto tempo pra acompanhar suas idéias, pois ele mesmo preferiu que eu me retirasse, preferi respeitar, principalmente pela disciplina.

O auto-respeito é a raiz da disciplina; a noção de dignidade cresce com a habilidade de dizer não a si mesmo.



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