sábado, 7 de fevereiro de 2015

Carta: "A ausência de resposta responde por si"

Série "Cartas Perdidas", Nº 9




"Conduz-se facilmente a crença alheia quando se tenta direcioná-las no rumo de suas tendências naturais: seus desejos e medos. As pessoas acreditam facilmente no que temem e no que desejam."


Sabe quando certas coisas são exatamente como pensamos quando duas pessoas pensam juntas? Mas também há uma ruptura de pensamentos e sonhos quando ambos não somos mais um.

Lembro de muitas coisas, coisas boas e ruins, abraços, lágrimas, saudade, angústia, medo, paz, noites longas ou curtas, risos, paixão, dúvidas e temores, planos, sonhos, ilusão, desilusão, amor puro e simples, esperança ou desesperança, o que restou?

Sei que seria fácil simplesmente dizer que estamos longe, de analisar a distancia que existe entre nós, de dizer todas as dificuldades que nos foram imputadas, mas não é bem assim que eu quero que seja feito. Mas também não me iludirei.

Poderia lembrar aqui dos momentos marcantes. Aquela viagem inesperada e repentina, aquela estadia no campo deserto, aquele natal tão perfeito onde que não haveria dor ou mágoas. Coisas imbecis, lembranças de um amor adolescente talvez.

Poderia ficar aqui discorrendo do quão grande foi e ainda é esse nosso amor ingênuo e maduro, sagaz e lívido, imbecil e tosco.

Mas tenho apenas uma folha, um lápis e pouco tempo para transmitir o que estaria sentindo agora, nada é fácil, a vida tem nos surpreendido a cada dia.

Não me arrisco a dizer nada. Porém posso ir além, poderia dizer sem nenhuma dúvida ou medo de errar que não existiria outra pessoa senão você mesma que eu me casaria. Não seria nenhum exagero, pois foi exatamente isso.

A "saudade", uma palavra esquisita que só existe na língua portuguesa... tem muitas facetas estranhas, e nostalgia é uma delas. Nostalgia de idealizar, talvez... e talvez eu mesmo esteja sendo leviano e tolo.

Todavia, não posso simplesmente guardar isso dentro de mim que nunca de fato morreu e repentinamente voltou a crescer e martelar na minha cabeça nas minhas pouquíssimas horas de sono, não nos próximos trinta anos, e chegar depois de você já ter uma vida traçada com outra pessoa, onde só irão restar lamentos. Não, acho que não é tarde o bastante.

Digo apenas “acho”, pois meu ceticismo ainda não me abandonou. E não vou ser utópico, nem ficar criando ilusões bobas, é perfeitamente possível todas as possibilidades, inclusive as negativas. E boa parte de mim não dá a mínima.

Não houve resposta, não achei que haveria mesmo, nunca contei com isso. A própria falta de resposta pra mim já é uma resposta. Isso me fez eu me condicionar ainda mais a mudar coisas dentro de mim, aprender a amar outra pessoa talvez.

E se falar que não arrependi de ter escrito, estaria mentindo. Há pontadas de arrependimento fatais por ter colocado meu pescoço à mostra pra suas presas afiadas de novo, sinto um certo nojo de mim mesmo de ter me exposto novamente, conforme é um ciclo e se repete sem mim (não vai repetir acho).


Mais sei que tu pensas em mim, nem que seja um pouquinho, nem que seja pra me odiar um tantinho por dia, mas pensa em mim. Ah, se pensa!


Mas não há espaço pra lágrimas.



"Acredite, o que eu faria por você eu não faria por mais ninguém..."

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