sábado, 21 de fevereiro de 2015

Carta: "Saudade da vontade"

Série "Cartas Perdidas", Nº 11



Curitiba/PR - 20 de Dezembro de 1998


Existem ainda diversas dúvidas que nos cercam. Minhas e suas. As dúvidas crescem junto com outros pensamentos e sentimentos, portanto talvez essa carta seja um pouco mais longa.

Primeiramente devo dizer que te vi esses dias, depois de um bom tempo, pude te ver pessoalmente, mesmo que por ora você não saiba quem eu realmente sou, você estava perfeita, andando a beira do lago, no Bosque do Portugual. E devo te dizer que continua incrível o efeito que você causa em mim, e percebi que estão mais intensos do que nunca: calafrio, palpitação, e simplesmente fico sem jeito. E aumenta cada vez mais essa vontade louca do seu abraço! Perco a cabeça,me queimo em seu fogo! Você obviamente é meu presente que caiu do céu!

Gostaria também de salientar que não sou nem nunca fui um bobo apaixonado, e sempre tive uma certa dificuldade para tal. Dificilmente me apaixono ou me apego pelas pessoas que passam em minha, de forma que já tive alguns relacionamentos turbulentos, inclusive o meu último, que talvez você deva ter uma opinião formada sobre.

Mas não importa o quanto eu pense e tente achar uma solução ou um motivo pra sentir o que eu sinto por você, é simplesmente inexplicável. Sentimento ao mesmo tempo casto e puro, mas é ácido, selvagem, animal. Um querer mais que bem querer, ou um contentamento descontente? Como sempre finalizo, “sigo te amando, e te querendo”.
E também devo reconhecer prontamente que está tudo louco da forma como eu estou fazendo. 

Pra começo de conversa, quem manda cartas hoje em dias? Ninguém né? Acredito que não mandem desde uns três anos pra cá? Estamos já em pleno 1998 e olha, muita coisa mudou, tem esse tal de "email", talvez. Não sei porque eu estou fazendo isso, não faço a mínima ideia!

Talvez você esteja extremamente irritada porque eu só fico mandando cartas anônimas? Talvez você tenha rasgado todas elas? E o presente? Será que você aceitou? Jogou fora? Não! Espero que não tenha jogado fora, sou péssimo pra escolher presentes, ainda mais pra mulheres! Mas olha me esforcei ao máximo, espero que realmente você tenha gostado, e servido em você!

Mas infelizmente é o preço que eu pago pelo anonimato que mantenho, não saber simplesmente nada! Nem mesmo sua opinião sobre toda essa loucura. Ao menos tenho aos poucos mostrado pequenos detalhes que talvez te façam pensar quem eu possa ser.
Como eu te disse, quando você realmente ver quem sou eu, talvez você fique bastante surpresa, exploda em risadas, ou até mesmo fique empolgada comigo, afinal, pensando em possibilidades, existem aqui um cara que realmente pode te fazer feliz e mostrar todo um mundo novo, existindo uma clara diferença de personalidade entre nós, isso é um dos motivos que me atrai muito em você. 

Contudo talvez não seja tão óbvio assim, eu poderia afirmar que eu sou a última pessoa quem você pensaria estar escrevendo essas cartas! Então viaja no meu corpo, sem medo de ser feliz, sem medo!

Escrevi muitas coisas sobre você sentado à beira do Ópera do Arame. Essa cidade me consola, por saber que você reside aqui!

E espero que, por outro lado, eu não tenha causado confusões, se é que me entende, mas infelizmente não posso guardar mais isso comigo, pois cresceu fora de meu controle, e esse é o jogo da vida, do amor. Alguém sempre perde, inclusive poderá ser eu mesmo!

Porém acredite em mim! Eu realmente te quero, realmente sigo te amando! Eu não me prestaria esse papel à troco de nada, jamais! Estou sendo sincero em cada palavra.
À tempo, feliz natal e ótimo ano novo!

Saiba que aqui existe alguém que realmente está disposto a te fazer completa! Tão disposto como nunca estive, creio eu.

Mais uma vez vou ficar te esperando aqui.

Mais uma vez você vai,leva um pedaço de mim.

Te amo linda!


"Não posso simplesmente guardar isso dentro de mim que nunca de fato morreu e repentinamente voltou a crescer e martelar na minha cabeça nas minhas pouquíssimas horas de sono"



Um comentário:

Cristiana Torres disse...

Vivi minha juventude nessa época (1998) e posso dizer que realmente ainda mandavam muita carta (no papel mesmo)...