segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

“É da natureza dos humanos destruir um ao outro.”

Série "Frases de Filmes", Nº 3



No filme "The Terminator 2", também conhecido como T2 (no Brasil: O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final, há uma cena onde Sarah, John e o Exterminador. Após Sarah escapar do Hospital Psiquiátrico Pescadero, e durante a fuga, no dia seguinte, param para comer um lanche em um posto de combustível, em meio ao Deserto do Mojave.

Em um dado momento, John observa duas crianças "brincando" com armas de brinquedo. Porém ambos os moleques entram em discordância em relação a qual dos dois realmente tomou um "tiro" primeiro, começando a brigar de verdade.

(Terminator 2: Judgment Day, Todos os direitos reservados à  Columbia Pictures Inc.)

Observando essa cena pitoresca, John prontamente observa que por trás do comportamento infante e lúdicos das crianças, trás à tona um verdadeiro instinto maligno dos seres humanos.

(Terminator 2: Judgment Day, Todos os direitos reservados à  Columbia Pictures Inc.)

"Não vamos sobreviver, não é? As pessoas não vão sobreviver..."

Uma observação triste porém realista, é evidenciada por John, pois o comportamento humano é muito analisado e levado em conta nesse filme, apesar de ter em evidência uma suposta ameaça vinda das máquinas, o principal fator destrutivo nessa série sempre foi o SER HUMANO.

De forma fria e sistemática, porém extremamente espirituosa, o Exterminador prontamente responde o comentário com a frase que descreve o título dessa postagem.


(Terminator 2: Judgment Day, Todos os direitos reservados à  Columbia Pictures Inc.)


“É da natureza dos humanos destruir um ao outro.” 

A máquina, a despeito de sua total falta de sentimentos, medos e desejos, fez uma análise do cenário em si. Toda aquela situação ilustrada na ficcção, toda a possibilidade e terror da total destruição da raça humana está totalmente aliada à capacidade única da nossa espécie, de que destruímos à nós mesmos, de forma imbecil. Somente o ser humano tem a imbecilidade de sujar à própria água que bebe.

É interessante como essa série de filmes, que tem como pano de fundo máquinas inteligentes, possa mostrar tanto da nossa natureza humana como nenhuma outra série poderia dizer. 

Desnecessária aqui uma análise sobre os danos à natureza que a espécie humana tem causado. Não é e nunca foi o objetivo desse blog. Talvez possamos extender o significado da frases a não só "destruir uns aos outros", mas sim "destruir à si mesmo".

Vou me ater simplesmente à uma análise mais voltada para o indivíduo.

Conforme a frase foi proferida, é da natureza nossa nos destruir. Basicamente somos nós mesmos que cultivamos hábitos que nos destroem, Cultivamos sentimentos que nos destroem. Sejam eles, vícios destrutivos, sentimentos infrutíferos, objetivos inatingíveis.

Infelizmente nós somos inatos para nos destruir das mais diversas formas possíveis. Sejam elas com aqueles costumes que nos trazem prejuízos físicos reais (fumo, álcool, drogas) como aqueles que nos trazem prejuízos psicológicos (excesso de expectativas para coisas irreais, sentimentos totalmente infrutíferos) e isso é o que realmente corrói em muito nossa qualidade de vida.

O que realmente fazer é difícil dizer, isso varia de pessoa pra pessoa, e varia muito, cada um deve buscar seu caminho para tentar parar essa auto-destruição que nos é tão inata, essa espécie contraditória. A máquina do filme analisa tão bem essa situação porque é de sua natureza apenas o raciocínio estéril e puro, sem nossos desejos, medos, vontades, arrependimentos e remorsos, que vão nos corroendo a medida que o tempo passa.

Qual o valor da vida, da nossa vida? Porque nós desperdiçamos ela com coisas que tem tão pouca importância em relação à essa nossa oportunidade de estarmos realmente vivos, vivendo e sonhando, realizando e construindo aquilo que nós idealizamos como nossos projetos? Não há preço pra isso, porque destruirmos com coisas tão irrisórias, que podem nos destruir e consumir recursos, energia e tudo mais, que apenas nos trarão gastos, sofrimentos, angústias e incertezas? 

Porque precisamos ser assim? Sem contar a real necessidade de destruirmos uns aos outros, ou nós mesmos? Desde guerras globais até simples comentários desfavoráveis ("fofocas") à pessoas próximas à si? Qual a necessidade de querer tanto denegrir a imagem das pessoas das quais muitas vezes você ou convive, ou trabalha junto, ou mesmo você aperta as mãos diariamente?

Mas eu não postaria aqui qualquer tipo de solução, "não desejar nada, não exigir nada, não esperar nada"? Não sou tão niilista pra pensar nessa solução que pra mim apenas é "enxugar gelo".

A natureza destrutiva do ser humano é algo difícil de entender.

2 comentários:

Alice Gonçalves disse...

essa é uma das cenas mais tristes do segundo filme. como diria J.K. Rowling "O ser humano tem a péssima mania de escolher o que é pior para eles". :/

Luís Eduardo G. Costa disse...

"É da natureza humana não perceber o real valor de uma coisa, ao menos que a percam."