domingo, 20 de setembro de 2015

Acerca da Nostalgia

Série "Reflexões Pessoais", Nº 19


Nostalgia é algo normal?

Assumo dizer que sim, ou até talvez, pois tendemos a olhar para o passado como um mar de rosas. Ficamos imaginando como seria se tivéssemos feito isso ou aquilo, lembramos de oportunidades.

É comum ver adultos falando “...ah como era bom quando eu era criança'', ''como eu queria voltar a ser criança''.

Ele esquece das limitações da criança e só lembra das partes boas ( brincar, correr , etc) e se esquece por exemplo que quando era criança não podia dirigir, não podia ir pra onde queria, tinha limitações sobre com quem falar, tinha uma vida controlada pelos pais até porque a criança não sabe o que é melhor pra si.

Quanto mais aprendemos e mais conhecemos o mundo, mais observamos as suas falhas, seus defeitos, sua realidade. Mais precisamos ficar atentos aos que nos cercam pra que não nos passem a perna. Mais subimos, e quanto mais subiu mais gente tem pra puxar o tapete. 

É saudade do sossego e da despreocupação que tínhamos quando da infância e adolescência. 

É isso que todo o cara quer, viver despreocupadamente e de modo sossegado. Porém, quanto mais a realidade se abre, mais amarga se torna e mais preocupados ficamos. O que fazer? Se armar, pra tornarmo-nos as melhores versões de nós mesmos, por isso o desenvolvimento pessoal, o aprimoramento contínuo e eterno enquanto durarem nossas vidas. 

A saudade da inocência e da burrice nos é boas lembranças, mas esquecemos de que por trás de cada ato besta e inconsequente que tomávamos quando crianças ou adolescentes, em quase todas as vezes haviam adultos ou outras pessoas para nos prevenirem das consequências e quando isso não era possível, minimizá-las.

Agora, como adultos, não podemos mais nos entregar a isso. É simplesmente isso, da juventude para frente a vida da pessoa é só dele, só depende dele e tanto o sucesso quanto os fracassos deverão ser agora administrados por um homem, e não uma criança descuidada ou um adolescente impulsivo. 

Essa saudade é um modo de comparação... Aquela comparação do antes e do hoje, onde tu se perguntas: "Como as coisas mudaram tanto? E por que eu mudei tanto? Há como voltar ao menos um pouco para isso?” 

E a resposta, queira ou não é um grande NÃO. Esse é o fardo da vida, do tornar-se homem. Não devemos fugir disso, mas olhar atentamente para isso e compreender nosso eu atual e do que necessitamos para enfrentar os obstáculos que temos e alcançar o que queremos, sem muitos descuidos, sem impulsividade e deixando de lado o que é ruim na inocência infantil para não nos prejudicarmos e tropeçarmos em nossos próprios pés.
Você acha que admira o passado e olha o mundo de cima, está errado. 

Você ainda está escalando a montanha da vida, há muito o que subir, mas ao invés de andar está parado admirando o que deixou para trás, quando a verdadeira maravilha é chegar ao topo e admirar tudo lá de cima.

Por isso não se prenda ao passado, foque no teu objetivo do presente. O que sobrará são pegadas que serão cobertas por neve e das quais somente você lembrará, pois só você as caminhou e viveu. Os outros podem lembrar das pegadas, mas não serão vivas como na tua lembrança.

É um paradoxo : Uma criança morrendo de vontade de crescer pra fazer coisas de adulto e um adulto querendo voltar a  ser criança porque era uma época sem responsabilidades. Como dizem , a grama do vizinho é sempre mais verde.



O tempo não comprou passagem de volta. Tenho lembranças e não saudades.

Nenhum comentário: