domingo, 21 de fevereiro de 2016

Carta: "Guardiã do Coração de Gelo"

Série "Cartas Perdidas", Nº 17


Quando eu passei por lá eu sabia que seria inevitável. Inevitável mesmo porque seria bobagem. Mas deixei me levar.

"Tu que viestes de longe, enfrentastes muitas batalhas, que derramaste teu sangue por essas terras, numa terra imaginária ou real. Tu que roubaste meu olhar de uma vez por todas."

Foi você.

Dos cabelos tão negros quanto o céu sem lua, e da pele tão branca quanto leite, você que exala a fragrância de um amor inabalável, eu sabia desde o início.

Nem vou dizer o que tanto já foi dito, mas devo fazer uma última colocação pertinente.

Você ostenta um título, a "Guardiã do Tesouro", sim isso é inevitável e você levará pra sempre esse título, e ele irá junto com você para seu túmulo em um dia longínquo. 

Ora, faz muito sentido, porque eu fico tentando imaginar qual é o Tesouro.

Ele nada mais é que o Coração de Gelo. Criogênico, nefasto, maligno, destruidor de almas. Algo deveras pior do que tem dentro da Caixa de Pandora, porém é considerado assim um "tesouro."

Agora eu entendo, o tesouro que você têm guardado durante tanto tempo, apesar de ser o Coração de Gelo, pra mim sempre foi um tesouro, pois sempre o quis, independente de como... seu coração.

"O fio da sua espada me fere a carne. Seu olhar me fere a alma."

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Lugar Esquecido

Série "Poesias e Devaneios", Nº 33



Às vezes na alvorada, soturna como o incógnito
Noite infindável, como uma estrada
Para além, para um lugar esquecido

Anos e vontades se esvaíram
Escondidos nas lágrimas eles ainda estão sozinhos
Resvalando num mar infinito de amargura
Aquelas almas imploram pelo fim

Apenas aguardando, sentados, num banco velho
Feito de madeira e metal, numa estação
Aguardam a chegada do trem na hora marcada

Algum lugar onde não teria tempo pra perder
Algum mundo onde mentiras valem mais que a verdade
Um coração vazio, abraços perdidos, beijos rasgados
Algum lugar que a esperança é sombria

Infortúnios e azares...
Sobreleva vidas e as assombra como um fantasma
Ela alimenta a ganância que bebe diretamente da fonte
E enriquece o mais forte

Olhos famintos prenderam as almas entorpecidas
Flutuando pelos céus eles cruzam o arco-íris

Para algum lugar esquecido...

"Você não vê as cicatrizes, você se torna divino."


sábado, 6 de fevereiro de 2016

Umbral

Série "Curtas", Nº 27



No meio do nada, pensando sobre tudo. Tantos arrependimentos, tantas dúvidas. Tantos desamores, onde sibilam ventos, corta-me o cenho.

Onde não há sorte, onde dominam rancores, se eu tivesse enfim, feito o que deveria ter sido feito, onde eu deveria ter ido.

Não vejo minha sombra, eu sou a sombra, eu sou o tudo e o nada, eu sou o chão, e nele estou. Minhas mãos gélidas, tento fechar os braços em mim, para que o pouco calor que me resta não me abandone. Em vão.

Não sinto sede, mas mesmo assim estou sedento, eu sei. Onde estou? O que eu realmente sou agora? Tornei-me o que exatamente? Eu não lembro.

A falta de lembrança me intriga, mas não é tanto assim. Como se tivesse na ponta da língua.

Esperando aqui uma redenção que nunca viria. Meu passado não me pertence."Tudo fica guardado em si, deste momento para frente vais colher os frutos de sua fé ou de seu desamor."



                      "Tudo fica guardado em si, deste momento para frente vais colher os frutos de sua fé ou de seu desamor."


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Acerca do Ódio

Série "Reflexões Pessoais", Nº 21



Hipocrisia, todos cânticos são ecos destoantes de palavras vis.  Ideologias imbecis. Alias, não são bem as ideologias, são coisas que falamos e que ouvimos, e nos enojamos de tanto ouvir e ouvir e simplesmente cansamos de tanta nojeira epistemológica. Me canso de ouvir palavras de ordem e palavras improvisadas.

Não falaremos agora de negativismo, mas eu falarei de coisas e sentimentos que me enervam à flor da pele. Eu, você e o resto, puro ódio disfarçado de um amor falso de filme romântico barato clichê.

Odiamos o ódio ou nós odiamos o fato de que odiar é “errado” no politicamente correto vigente atualmente? Eu não odeio o ódio, ele é mais útil que o desespero. Só basta saber cultivá-lo de forma correta, vamos conseguir canaliza-lo de forma eficiente, assim como se canaliza a energia atômica pra produzir energia elétrica ao invés de bombas mortais.

A vida é curta, muito curta, e a espera é longa. As estrelas, lá no alto desaparecem com o amanhecer, e sempre somem, porque eu estou lá praticamente todos os dias, vejo o céu negro se tornar azul escuro aos poucos, e ir esclarecendo, eu percebo que o mundo não para pra nos esperar.


Tão latente como o ódio é o amor, mas esse, prefiro não comentar.

Os poetas odeiam o ódio e fazem guerra à guerra.