segunda-feira, 20 de junho de 2016

Carta de Despedida

Série "Cartas Perdidas", Nº 19


Você sorriu pra mim. A música suave tocava no player. Claro que eu sabia que era ali que nossos caminhos se separariam. Você abraçou-me, olhando-me, então, nos olhos, como de costume. Segurei minhas palavras por um instante, mil pensamentos ruins em um mix ainda maior de lembranças boas.

O silêncio, outrora quebrado por risos e beijos intercalados a sussurros, agora reinava em tal magnitude que tornava a música insignificante a ponto de não ser ouvida por mim, confessa apaixonada por tal arte.

Você começou a falar. E a cada palavra pronunciada por seus lábios, eu tão somente me perguntava o porquê disso agora. Por que não depois? Ou por que não antes? Não entendia mesmo... Onde havia eu errado? Sim, porque o problema só poderia ser comigo. Não importava a mim quantas vezes você repetia não ser. Eu não aceitaria sua justificativa de que fosse você.

Por meses, me perguntei o que eu mudaria com uma segunda chance. Como eu aprenderia com meu erro (que nem mesmo existia). Mesmo dona de uma racionalidade, julgada por mim como inabalável, por meses me fechei num mundo recluso, sem saber como seguir em sua ausência. Procurava uma forma para entender as circunstâncias, o porquê de estar destruindo-me dia sim, dia não após sua partida.

[...]

Tolice seria negar que um dia te amei. Intensa e puramente. Verdadeira e escandalosamente. Mas o tempo passou, sabe. As noites em claro me fortaleceram, ensinaram-me a enxergar a necessidade de um fim para se ter, pois, um recomeço. E eu precisava me libertar de você, gravando isso em palavras. Consigo agora, sem lágrimas, agradecer-te por tudo que aprendi.

E sabe também, consigo ver, agora, que realmente o problema não era comigo. Mas também não era com você. Não era problema. Simplesmente não era pra ser.

"Não era problema. Simplesmente não era pra ser..."

2 comentários:

Eduardo Costa disse...

De fato, as despedidas são inevitáveis, e é tolice prolongá-las, pois seria isso prolongar o sofrimento que ela nos aflige.

Outra tolice descomunal é negar o amor que nos habita... ele cresce sem que queremos, ELE tem vida própria... ele não nos pertence, NOS HABITA.

Joaana D'arc disse...

Exato.. E são, em verdade, amor e despedidas dois pontos praticamente intrinsecos, na mesma frequência de ocorrência, paralelamente existentes..

Sempre habitará em nós o amor e este, por sua vez, acarretará perdas e despedidas, sem forma de se fugir disso....