terça-feira, 18 de outubro de 2016

Carta "Interminável Incompletude"

Série "Cartas Perdidas", Nº 22


Copacabana, 22 de setembro de 2002

Oi. Hoje precisei te escrever.

Não me lembro de quando foi meu último sorriso.. Mas essa será, possivelmente, minha última lágrima..

Respiro... Profundamente... Pausadamente.. A noite silenciosa me faz outra vez entrar nessa monótona reflexão. Bem, aqui estou eu, empilhando sentimentos, momentos.. Esse silêncio me tira totalmente do trilho, e sussurros sombrios me invadem a mente... Por que deveria eu me importar com tudo isso agora..?! Qual o sentido dessas linhas escritas a essa altura..?! Talvez eu só esteja meio perdida.. Tem sido assim na maioria das vezes nos últimos anos..

Na verdade, nem sei.. Acho que, em algum ponto, adormeci por tanto tempo, que não percebi os dias se escorrerem por entre meus dedos. Tão depressa que nem tive a chance de me despedir.. Quando pude ver, eu vi.. Quando pude amar, eu amei.. Quando pude destilar minha dor, assim o fiz.

Mas hoje meu interior transforma-se em pranto ecoando em vão e, mesmo que em meus lábios escapem palavras doces de que tudo está tão bem quanto antes, agora nada me traz o sossego de outrora..

Eu já não me importo muito com o rumo que as coisas irão tomar daqui pra frente. Sinto, de certa maneira, saudades de coisas que se foram há tempos, mas isso não é mais suficiente para que eu queira revivê-las. Ainda há coisas e pessoas das quais gosto e gosto muito, acredite! Mas isso não me prende a nenhuma delas.

Por favor, saiba que sou e serei sempre grata a você! Mas insistir nisso seria loucura. Talvez eu devesse ter ouvido seus conselhos, todos eles (porque você me amou quando eu não fui capaz).. Mas o conhecido livre arbítrio me impulsiona sempre para ‘minhas’ escolhas erradas. Se ao menos você soubesse o quanto me arrependo..

Só é trágico esse arrependimento não fazer a mínima diferença. Sabe, poderia ser diferente..

Ou talvez era pra terminar assim.

[...]

''Eu não decidi ficar.. Eu não resolvi partir..''


sábado, 15 de outubro de 2016

Carta: "Pra não dizer outra coisa"

Série "Cartas Perdidas", Nº 21


Hospital São Vicente de Paulo, Rio de Janeiro
12 de Setembro de 2004



Não sei quem você consegue ser na minha mente, porque a existência é condicionada ao que a pessoa nos representa, isso não muda a fato que tudo tenta ser no que a gente entende.

Você simplesmente entrou e pulou na minha vida, é coisa impossível e infactível.

Você infelizmente entrou sim em minha mente, e fatalmente em meu coração, e em uma intensidade que não deveria ter sido.

Odeio ter que chegar ao ponto de escrever. Materializando uma ideia que já nasceu estranha, mas o provérbio é bem claro: Verba volant, scripta manent.

Ao materializar isso, deixo claro muita coisa.

Suas opções? Não é questão de opção nem de opinar, mas eu já entendi essa questão de “opinar” por assim dizer.

E eu também não sei se foi realmente a primeira carta. Talvez já devo ter escrito outras, para em seguida amassar e jogar fora.

Talvez eu tenha descartado porque tinha vícios de linguagem, vícios de concordância e vícios de uma coisa que eu nunca poderia tentar transmitir de forma correta. Isso está tudo errado.

Pode me achar distante e iludido, mas não estou tão longe, estou quase cara a cara. E não sou fraco assim, apesar de você me tornar mais ameno.

Sendo claro, eu te quero, e muito. Pra não dizer outra coisa.


"Tão perto, não importa quão longe, Não poderia ser muito mais vindo do coração"