quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Uma pequena explicação anedótica sobre Paixão e Amor

Série "Curtas", Nº 33


Definindo a paixão usando como desventuras medievais caricatas: imagine que és um bravo vassalo e que passará boa parte do seu tempo coletando os melhores equipamentos, armas e tesouros. Pois bem, quando conheces uma donzela, você receberá um feitiço, e caso caia nele, ela fará que abandones a tua armadura, dê-lhe todo o ouro que conquistara e abra o caminho bravamente para que os inimigos, monstros e demais criaturas sequer encostem nela.

Uma hora, ela irá embora, e lhe deixara sozinho, sem dinheiro, em um mundo desolado e que não tem pena de ti, e com um coração partido. Doravante, irá ficar riste por um momento, mas após um tempo, irá se recuperar e voltará a se equipar novamente, até que outra rapariga lhe encontre...

Se esta paixão for correspondida, ela corre o risco de poderes evoluir para o amor, quando(e se) chegares a este ponto, verás que os sacrifícios exigidos valeram a pena, e uma armadura secreta irá se encaixar em ti, deixando-o com atributos impossíveis de serem alcançados por outro modo.

Por isso que a paixão vale a pena, se fores correspondido, as defesas que você outrora abaixara retornarão muito mais poderosas, e com guardas postos pela outra pessoa que lhe ajudarão a controlar quem entra, e quem sai. Assim formando o que chamam de Amor.

Agora tereis cuidado, pois nem sempre seras totalmente correspondido, e, com o tempo, poderão aparecer alguns defeitos com a nova armadura.

Mas claro, tudo tão simples como uma bela caricatura que és esse pequeno texto.


"Há mais perigo em teus olhos do que em vinte espadas!"



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Superar

Série "Poesias e Devaneios", Nº 42


Superar não significa esquecer, assim como perdoar não é voltar a querer.

Superei, mas nunca esqueci, e nem pretendo,
Preciso das memórias para não esquecer onde não devo permanecer,

E não se trata de rancor,
Minha vida não tem espaço pra isso
É uma questão de amor,
De amor próprio,

Porque é preciso lembrar,
Pra não voltar a errar
Pra aprender que nem toda promessa é verdade,
Assim como nem toda lágrima é saudade,

E as minhas tem gosto de superação,
Já não doem mais,
O perdão foi a alforria do meu coração,
Apagou os últimos traços,

Desfez todos os laços,
Abraçou o presente,
Fez brotar a semente em meio uma desilusão
Porque perdoar é acreditar,  Que apesar dos pesares,

Novos tempos virão,
E onde existia passado, 
Desabrochará a renovação. 


Por Ricardo A. Brant, em Março de 2017

"E o futuro vai ser tão brilhante, que nem vamos precisar de olhos para ver..."

terça-feira, 10 de outubro de 2017

O Lar que Jamais Tive

Série "Poesias e Devaneios", Nº 41


Que nessa terra que habito
Que nesse canto que resido
Habitável? talvez não...
De qual não houve recepção

Que estou e vou estando
Terra vil e céu em desando
Sem flores no seco pasto
Idiotices de um sonho fasto

Não me permito condescendência
Que de face minha verta
Lágrimas crus da indulgência

Terra que não ama
Lar que não acolhe
Lugar que não sou parte

Não há temor
Não há rancor
Não há amor 
Só resta aqui torpor

Não ficarei, em paz jamais
De mim pedir, paciência é demais
Pois onde há, suposto calor
Par de olhos, brilhante, torpor

Não é real, nunca será
Porque onde de fato está
Não será hoje nem aqui
Mas irei lá buscar

Onde pelos seus olhos serei devotado
E por seu coração perseverante
Pois daqui irei zarpar
E do seu coração, jamais abandonar

"Algum lugar onde não há tempo pra perder
Algum mundo onde mentiras valem mais que a verdade
Um espaço vazio em seu coração"






segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A importância do Perdão

Série "Reflexões Pessoais", Nº 32


Muitas vezes tentamos entender e colocar um sentido em situações e momentos pelos quais passamos.

Nos sentimos enganados, ludibriados, frustrados, odiosos, com raiva e com desejos de vingança, ao descobrirmos certas “verdades”.

Todos fomos machucados na vida. Todos fomos rejeitados por uma namorada (ou namorado), traídos por um amigo, passados para trás numa promoção, rejeitados pelos pais, ou vítimas de preconceito.

E acho que é natural sentir este tipo de coisa. É claro que com o tempo, a tendência é com o decorrer das nossas vidas e nosso amadurecimento natural, ir se desapegando e seguindo sua vida, se desenvolvendo, evoluindo, deixando estes sentimentos pra trás, e olhando sempre para frente.

Mas muitos ainda, por mais que não digam ou que não afirmem isso (nem pra eles mesmos), bem lá no fundo, ficam presos ao sentimento de revanchismo, vingança a quem os iludiu, enganou, traiu. Seja quem for, a maioria de nós acredita que as pessoas que nos feriram devem pagar pela dor que nos causaram; afinal, elas merecem ser castigadas, mesmo que inconscientemente (“nada como um dia atrás do outro”, ou “o mundo dá voltas”).

Mas simplesmente: perdoe! Não se trata de esquecer a maldade alheia ou minimizar o próprio sofrimento. Para ser capaz de um perdão verdadeiro e sadio basta entender que ele traz muito mais benefícios do que o rancor.

Infelizmente, o conceito de perdão de cada um pode limitar ou dificultar a capacidade de perdoar. Dizem que perdoar é coisa de gente fraca, medrosa, sem auto estima. Possuímos crenças negativas de que perdoar é aceitar de forma passiva tudo o que nos fizeram. Achamos que perdoar é aceitar agressões, desrespeito aos nossos direitos. Alguns afirmam: “eu não levo desaforo para casa!…” ou tipo “Que se foda! Sou assim mesmo!” Pergunto: Somos alguns destes? Devemos agir sempre assim? Será que a pessoa que perdoa demonstra fraqueza de caráter? NÃO, NÃO E NÃO!

Olhando somente para o escopo do tema Relacionamento:

Muitos dizem: “Ah, eu me dei muito mal com aquela pessoa”. É claro! E não foi por causa de nenhum tipo de “predestinação” ou algo que o valha. Porque se iludiram, pensaram que ela seria perfeita o tempo todo.

E então muitos dizem que não conseguem perdoar porque estão muito magoados. Porém, o problema não está no outro, pois era previsível que por mais especial que esta pessoa fosse, um dia acabaria agindo de forma diferente daquela que esperávamos. O erro está em nós, que não aceitamos as pessoas como elas são. Ainda mais nos dias de hoje, onde pode tudo!

Pergunto: Será que estamos aceitando as pessoas como elas são? Será que não estamos esperando muito dos outros? Será que estamos esperando lidar com seres utópicos e absolutamente altruístas? Sabemos que de angelicais e puros eles não tem nada, são humanos tanto quantos nós. Amigo, sem Aceitação, não há Perdão!

Um outro motivo para esquecermos as ofensas está na constatação de que o perdão traz um grande alívio para quem perdoa. Não é para quem é perdoado. Muitas vezes quem é perdoado não consegue se livrar da sua consciência, mas este também precisa aprender a se perdoar e a recomeçar novamente. O auto perdão também é importante. Para que reconhecendo os nossos erros encontremos forças para reformular nossas atitudes e começar uma nova vida.

Considerando a própria fragilidade, o indivíduo deve conceder-se a oportunidade de reparar os males praticados, reabilitando-se perante si mesmo e perante aqueles a quem haja prejudicado. O arrependimento, puro e simples, se não acompanhado da ação reparadora, é tão inócuo e prejudicial quanto a falta dele.

Perdoe a si mesmo pelos erros cometidos no passado e não fique se martirizando por isso. O auto perdão ajuda o amadurecimento moral, emocional, porque propicia clara visão responsabilidade, levando o indivíduo a cuidadosas reflexões, antes de tomar atitudes agressivas ou negligentes, precipitadas ou contraditórias no futuro.
Quando alguém se perdoa, aprende também a desculpar, oferecendo a mesma oportunidade ao seu próximo.

“O PERDÃO É SEMPRE PARA QUEM PERDOA”.

Não nos contaminemos pela raiva, pela cólera e pela mágoa. Vivamos em paz e com a nossa consciência tranquila pronta para merecer o perdão das pessoas que prejudicamos com os nossos atos, palavras e pensamentos, pois somente será perdoado aquele que perdoa. Essa é a lei.

Quando digo perdoar a pessoa que te prejudicou, não quero dizer que as coisas vão ser igual ao que era antes, que você vai ter que conviver com a pessoa, ou se relacionar com ela. Não, não e não. Você apenas aceita que a pessoa agiu daquela forma e que ela é assim e de certa forma você se protege e começa a andar pra frente rumo ao seu desenvolvimento e sua paz de espírito.

Quando perdoamos as pessoas que nos machucaram, não estamos dizendo que o que foi feito contra nós não teve importância (“não foi nada”) ou não deixou marcas profundas (aquelas a ferro e fogo). Essas perdas foram terríveis e fizeram grande diferença em nossa vida, mas nos ensinaram muitas coisas: tanto a não nos tornarmos vítimas novamente, como não fazermos o mesmo para terceiros e o principal, traz pra nós o aprendizado.

PERDOAR NÃO É ESQUECER. É LEMBRAR SEM SENTIR DOR. É NÃO LEVAR EM CONTA.

O sensato perdoa. Portanto, seja o que for e a quem for.

O perdão beneficia aquele que perdoa, por propiciar-lhe paz espiritual, equilíbrio emocional e lucidez mental na busca no auto-conhecimento.

Não perdoar nos dá a ilusão de força, de poder (“agora eu controlo”). Não perdoar ajuda a compensar a sensação de falta de poder que nós sentimos quando fomos machucados.
De fato, se trancarmos na prisão de nossa mente essas pessoas que nos prejudicaram, vamos nos sentir onipotentes (“agora é minha vez”) pela força do nosso ódio silencioso. Isso não é bom.

E, por último, não perdoar nos dá a ilusão de que não seremos machucados outra vez. Mantendo a dor viva, os olhos bem abertos para qualquer perigo em potencial, reduzimos o risco de voltamos a sofrer rejeição, traição ou qualquer outra forma de ferimento.
Mas será que os benefícios (iludidos) de não perdoar valem o preço que pagamos por armazenar essas mágoas, remoer esses sentimentos e nos agarrarmos com unhas e dentes à dor do passado? Será que vale a pena continuarmos alimentando a raiva, revidando com palavras ou com silêncio e assim nunca sentirmos o verdadeiro prazer de viver? Vale a pena corroer a alma dessa forma?

Claro que não! Simplesmente desapegue-se do passado e seja uma pessoa melhor pra você mesmo!!

O perdão se torna uma possibilidade quando a dor do passado cessa de reger nossas vidas; quando não precisarmos mais do ódio e do ressentimento como desculpas para obter menos da vida, do que queremos ou merecemos. Perdoar é chegar à conclusão de que já odiamos bastante e não queremos odiar mais; portanto, perdoar é usar a energia da vida, não para reprimir esses sentimentos, mas para quebrar o ciclo da dor se voltando para o futuro e não machucando outras pessoas como fomos machucados.

Há quem diga que perdoar é escolher entre se vingar e se aproximar, entre ser vítima ou sobrevivente. Na realidade, perdoar é um processo que vem de dentro. É uma libertação. Uma aceitação. Perdoar é aceitar que a coisas ruins podem e de fato acontecerem na vida das pessoas, e que as pessoas mesmo quando se envolvem, machucam e se machucam. Perdoar é um sentimento de bem-estar, é reconhecer que existe algo melhor que queremos fazer com a energia da vida e fazê-lo.


E creio que todos nós aqui somos sobreviventes rumo a um futuro de muitas batalhas, na busca de sermos melhores seres humanos.

"A raiva te torna menor, enquanto o perdão te força a crescer além do que você era."
Cherie Carter-Scott

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Uma História do Meu Tempo de Estudante de Direito Sobre o Casamento Gay e a Atual Promoção da Pedofilia Pelo Banco Santander.

Série "Reflexões Pessoais", Nº 31


Há quatro anos eu ainda não tinha concluído o meu curso de Direito, quando, durante uma pesquisa do professor, fui perguntado em sala de aula se era a favor do casamento gay. Prontamente respondi que não, pois o casamento é oriundo do instituto do direito romano chamado matrimonium e, como o próprio nome demonstra inquestionavelmente, está íntima e inseparavelmente ligado à maternidade. Logo, só existe casamento entre homem e mulher, pois apenas esta união tem a potência para gerar prole. E a prole, por sua vez, tem uma importância crucial para qualquer sociedade, qual seja, a manutenção do contingente humano sem o qual a nação, que em um país sadio é uma espécie de extensão da família, entra em decadência e, até mesmo, risco de extinguir-se.
Como é possível perceber, a minha resposta foi focada apenas no direito e na importância do casamento para o Estado. Tal fato se deve à minha vã tentativa de utilizar uma argumentação que tinha por escopo ser aceita no meio hostil onde eu, cristão e conservador, me encontrava. Fracassei totalmente e, em um piscar de olhos, várias vozes se levantaram em alto tom para me acusar de homofobia. Como não me deixo intimidar, dei um tapa violento contra a mesa, o que deu início a um silêncio sepulcral em sala, e falei: só respondi o que me foi perguntado. Nunca hostilizei ninguém por causa de sua opção sexual. Se simplesmente ser contra o casamento gay é ser homofônico, então eu aceito o rótulo. Agora, negar a própria realidade em favor de uma conveniência do politicamente correto é uma completa loucura que, após ser aprovada, atrairá ainda mais demência. Hoje se defende o casamento gay, amanhã o próximo passo será a pedofilia.
Depois do ocorrido, vários colegas me procuraram para parabenizar por terem se sentido representados pelo que dissera. Alguns outros, porém, afirmaram que tinha exagerado muito em minha afirmativa sobre pedofilia. Hoje, tão pouco tempo depois, a minha previsão se cumpriu: o Banco Santander financiou uma exposição criminosa por vilipendiar objeto de culto (escreveu as palavras vagina e língua em hóstias católicas, pintaram Jesus crucificado repleto de braços e, em cada um, segurando objetos como, por exemplo, um vibrador) e que incentiva não apenas a pedofilia como a zoofilia. É claro que qualquer cristão que saiba disso, bem como qualquer indivíduo que sabe a diferença entre coisas básicas como certo e errado, o bem e o mal, deve cancelar a conta no Satã-der e divulgar tal informação para que outras pessoas façam o mesmo. Seguindo o raciocínio, tamanho ultraje é o começo do preço altíssimo a se pagar pelo sacrifício da lógica no altar da conveniente omissão. Se as pessoas mentalmente sadias, que ainda são a maioria, não tolerassem que a realidade fosse substituída por ideologias das minorias barulhentas, com certeza a consequente insanidade coletiva decorrente da perda das bases morais mais caras não estaria acontecendo hoje. Já falei exaustivamente, mas repito: é no solo fértil da covarde indiferença o local onde o mal é semeado e gera prolífera colheita.
Portanto, a sociedade brasileira tem que romper imediatamente com o expediente do silencio. Para ser mais claro, todo aquele que tentar negar a realidade deve ser prontamente repreendido e chamado pelo que é, um louco. Não toleremos o desrespeito à fé do povo brasileiro; a caça sexual predatória dos seres mais indefesos, as crianças; o hedonismo animalesco da zoofilia; mais uma ideologia maldita, dessa vez para dizer que crianças nascem sem gênero definido, ignorando desde o mais pequenino cromossomo molecular até o mais gigante dos órgãos genitais; et cetera. Podem ter certeza, apesar de difícil, esta é uma causa nobre pela qual vale a pena lutar para fazer a diferença ou, no mínimo, morrer tentando.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Você está acordado?

Série "Reflexões Pessoais", Nº 30


A mente humana possui diversos mecanismos vitais para a sobrevivência humana e o principal deles é o poder de abstração. Abstrair a nossa realidade é a programação natural que nos foi feita assim que nascemos e começamos a interpretar o mundo a nossa volta. Nosso cérebro foi moldado durante anos de evolução, entretanto isso não significa que estejamos livres de um grande defeito: viver no modo automático. 

A principal causa desse modo é não viver no presente, sempre pensando no passado e no futuro. Vivemos mortos em uma sociedade onde o fluxo de informação é tanto que o processamento não consegue ser totalmente consciente, lidamos de maneira automática durante a maior parte do processo.

Experimente se lembrar do que você comeu três dias atrás no almoço. Se não houver recordação sobre isso provavelmente você não estava lá, fazemos isso o tempo todo, estamos dormindo o tempo inteiro. 

A consciência nos foi tomada, após ondas e mais ondas de informação a fadiga mental é tanta que entrar em modo automático é questão de sobrevivência e manutenção da espécie, assim como viver no presente era primordial para os nossos ancestrais continuarem vivendo. 

Nossos antepassados tinham que viver um momento de cada vez se quisessem se manter vivos, pois não havia nenhuma outra forma de se proteger a não ser observar a realidade nua e crua, sem nenhum tipo de distorção. Hoje as necessidades mudaram, se passarmos a viver no presente e questionarmos o porque das nossas ações e atitudes a civilização não duraria sequer mais um dia, pois nada do que fazemos faz realmente algum sentido no presente. 

A sociedade está doente, vivemos por promessas de um futuro que nem sequer existe e por um passado que não pode ser alterado. Tomamos atitudes baseados em um amanhã que talvez nunca chegue e achamos isso perfeitamente racional e razoável, afinal todos fazem o mesmo. Jogamos o nosso individualismo em troca de um coletivo que sobrevive a cada dia por uma mera questão de formalidade e costume em seguir vivendo uma vida que nem sequer é sua, pois você não vive de corpo e alma cada momento.

É preciso admitir que falta vontade para viver. O corajoso é aquele que mesmo com medo enfrenta o problema. O medroso é tal qual como o corajoso, pois ambos possuem medo. O destemido é aquele que entendeu que o medo só prejudica a experiência e resolveu se abnegar, entendeu que o caminho do não ser é a melhor forma de se chegar ao objetivo, pois não sendo pode-se ser qualquer coisa na hora certa.

E você? Até quando vai se entregar ao medo e deixar de viver no presente? Até quando a desculpa para o seu fracasso vai ser aquilo que já aconteceu e não pode ser alterado? Até quando a desculpa para o seu fracasso vai ser aquilo que nem sequer existe ainda?

Viva a vida em sua plenitude. Observe o mundo em sua volta ao menos uma vez e encante-se. Tenha consciência de cada ação e atitude do seu corpo, cada passo, cada respirar, cada batimento cardíaco pelo menos por alguns instantes. O presente é tudo que existe, se você não consegue viver nele você não está vivendo, está fugindo.

Será que suas escolhas de vida foram tão ruins que você não consegue encará-las de frente? Será que você tem que viver a vida inteira fugindo de você mesmo e do mundo, como se fosse um criminoso, um traidor de si mesmo?

A maior parte dos problemas da sua vida são resultantes da falta de atenção. Mas, como ter atenção se você nem sequer está aqui? Você sempre está lá, nunca aqui no presente, onde tudo acontece. 

Acorde!

Aquela mulher que te deu um pé na bunda nunca te quis, mas você estava tão distraído vivendo no passado ou no futuro que se esqueceu de observar o desprezo e o oportunismo no olhar dela. 

Aquele amigo traidor nunca se preocupou com você, mas você estava tão bêbado que não conseguia perceber.

Aquele concurso que parecia distante estava tão próximo, mas você resolveu jogar as suas prioridades no lixo em prol de algum pensamento inútil que invadiu a sua cabeça. 

No presente não há pensamento, há ação. A atenção para se manter no presente é tanta que a possibilidade de pensar nem sequer existe.

Até quando você vai ser vítima do seu pensamento? Até quando vai viver em um mundo de ilusões?


Se liberte!

"Povos livres, lembrai-vos desta máxima: A liberdade pode ser conquistada, mas nunca recuperada."
Jean-Jacques Rousseau

quarta-feira, 12 de julho de 2017

TERRIVELMENTE INOMINÁVEL - Reflexões sobre o assassinato do Cabo Marcos Marques da Silva

Série "Reflexões Pessoais", Nº 29


        Terrivelmente inominável. Estas foram as palavras que usei depois de assistir ao vídeo do bravo Cabo da Polícia Militar, Marcos Marques da Silva, tombando morto após ser assassinado a tiros por integrantes de uma quadrilha de assaltantes de banco que agiram em Santa Margarida-MG. Além dele os criminosos também mataram um vigilante do Banco do Brasil e fizeram dois reféns como escudo humano durante a fuga. Fato este que, muito provavelmente, levou o Cabo da PM a não atirar e, consequentemente, ser fatalmente atingido. 

          Talvez a ausência de palavras que me ocorreu para descrever a filmagem aterradora do PM desfalecido no chão enquanto o seu sangue - o preço mais alto da bravura - irrigava a terra, seja em decorrência do fato de que, assim como ele, também sou policial da mesma corporação e da mesma graduação. É inegável que o ocorrido causou profunda impressão em mim. Mas sei que a morte do Cabo Marcos é uma trágica oportunidade de ressaltar um pouco das muitas coisas que estão realmente indo muito errado em matéria de segurança pública no Brasil e uma forma de honrar o seu heroico sacrifício.

Tirar a vida do próximo por causa de dinheiro é uma conduta execrável de altíssima reprovabilidade social. Por isto crimes bárbaros como o ocorrido em Santa Margarida sempre foram, são e continuarão sendo capazes de fazer aflorar em meio à sociedade o natural desejo do sangue dos criminosos. Em tempos de outrora seria aberta uma verdadeira temporada de caça aos malfeitores que terminaria, caso algum deles fosse capturado vivo, em um pequeno espetáculo em praça pública de tortura até a morte. Apesar de nenhum indivíduo normal desejar o retorno dos shows de flagelo, com certeza grande parte da população de bem deseja de maneira correta e ponderada que bandidos perigosos tenham prêmios postos pelas suas cabeças e que possam ser condenados, após um julgamento justo, à pena de morte.

Isso não é uma questão de vingança, mas sim de justiça. Afinal é injusto que a coletividade seja exposta ao risco de conviver, por exemplo, com um assassino frio que já matou por motivos torpes, somente porque a escória intelectual empossada acredita na recuperação e reinserção de qualquer tipo de criminoso em meio à sociedade. Hodiernamente muitos são os que procuram, por intermédio do direito, humanizar facínoras que fazem as vezes dos vermes, se alimentando da carne dos seus semelhantes (até mesmo de forma literal). Chamar isto de direitos humanos é um expediente que jamais será aceito pela população de bem, simplesmente porque é desumano e contrário a própria lógica da realidade.

Não há palavras capazes de defender o indefensável. Todavia, a tentativa insana de fazê-lo faz emergir uma legítima indignação muito maior do que qualquer crime bárbaro pode provocar. Pois a maldade é algo que está presente ao perpassar de toda história humana. A defesa do mal, contudo, é uma deformação monstruosa, um corpo extravagante capaz de fazer multiplicar o abscesso da perversidade e, inclusive, esta realidade fica ainda mais clara ao ouvir-se o áudio do companheiro do Cabo Marcos afirmando que ele está deixando para trás a sua família e que só não efetuou o disparo por medo de ser punido. Em suas próprias palavras: “a gente (policiais) é tão cobrado, é tão massacrado, que o cara de medo não pode agir”.

Definitivamente, a arma do policial está pesada demais. Qualquer soldado que vai para a guerra pensando em problematizações maiores do que a vida e a morte, que tenha que se preocupar com a manutenção do emprego que provém o sustento da sua família ou, até mesmo, na manutenção da própria liberdade, está fadado à hesitação. E na guerra quem hesita, morre! Não adianta virem com relativismos eufemistas: “o policial não deve matar o inimigo, mas sim prender o infrator”, pois qualquer pessoa mentalmente sã sabe que existe uma abissal distância que separa o criminoso comum dos quadrilheiros muito bem armados e mortalmente dispostos à prática da pilhagem.

A pior implicação do politicamente correto é que ele impede que as coisas sejam adjetivadas pelo que elas realmente são. Se não há diferenciação entre inimigo e criminoso comum, o tratamento para aquele passa a ser o mesmo dispensado para este. Invariavelmente o resultado será a guerra assimétrica, com um lado tendo total liberdade de ação, enquanto o outro, neste caso à polícia, está restrito as amplas amarras jurídicas, sociais, corporativas e psicológicas. Não se trata de aumentar-se a pena categorizando as ações de inimigos da sociedade – que nem os que assassinaram o Cabo Marcos – como crimes hediondos, mas sim de se estabelecer uma verdadeira licença para matar. O policial deve ter total liberdade para eliminar toda e qualquer pessoa que esteja agindo com ânimo mortal, pois é no mínimo imoral exigir-se que um agente da lei não aproveite uma janela de oportunidade para alvejar pelas costas um criminoso que leva o caos com armas em punho, apenas porque alguns aloprados podem argumentar juridicamente que isto não seria caso de legítima defesa.

E engana-se grandiosamente quem pensa que os argumentos que tracei até aqui podem servir para o radicalismo, já que existe um exemplo notório de país mais desenvolvido, com qualidade de vida muito superior ante a do Brasil e que foi fundado através do segundo grande momento histórico dos direitos humanos: a Constituição dos Estados Unidos de 1787. E, mesmo assim, na América é permitida a legítima defesa da propriedade, policial é herói, senta o dedo na bandidagem, os piores destes têm a cabeça posta à prêmio e existe prisão perpétua e pena de morte em diversos Estados. É realmente uma pena que em algum momento ao decorrer da história, os ideólogos do mal tenham tomado de assalto os direitos humanos e os transmutado na defesa intransigente de todo o tipo de absurdidades. Entre elas, a ideia irracional de que o criminoso é um coitado que não teve educação e oportunidades financeiras. Como se ser bandoleiro fosse coisa de gente pobre. Ideia esta que, per se, é um tremendo desaforo contra cada pobre honesto e de vergonha na cara.

Outro problema gravíssimo é a labiríntica e engessadora burocracia que faz com que a polícia tenha gigantesca dificuldade de adquirir armas de fogo de calibre mais pesado. A origem deste grave problema não veio do Regime Militar, mas sim das mãos do verdadeiro ditador brasileiro, Getúlio Vargas. Sobre este ponto específico segue o enxerto do livro Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento, de Flávio Quintela e do sempre pertinente Bené Barbosa:

Getúlio Vargas ainda enfrentaria mais uma situação de confronto bélico, na revolução de 1932. Mas desta vez seria contra o estado mais rico da federação, São Paulo, que contava com uma força policial equipada com fuzis Mauser, metralhadoras Madsen, carros de combate, canhões e até mesmo alguns aviões de guerra. Além da Força Pública do Estado de São Paulo, os paulistas contavam com todas as organizações militares do exército brasileiro sediadas em seu estado, e com a ajuda de milhares de voluntários, que levaram suas próprias armas para o campo de batalha. Depois de 87 dias de duros combates, o governo de Vargas conseguiu vencer a guerra paulista, encerrando assim o último conflito armado ocorrido em território brasileiro. Mas a mensagem que ficou é muito clara: os paulistas não teriam sequer ousado levantar-se contra a ditadura de Vargas sem o armamento que tinham. Pouco tempo depois, em 6 de julho de 1934, o governo baixou o Decreto 24.602, criando as restrições de calibres e de armamentos, tanto para os cidadãos civis como para as polícias. É por conseqüência desse decreto que as polícias estaduais necessitam hoje da permissão do exército para comprar fuzis e armas de maior calibre, e freqüentemente combatem os criminosos com equipamento inferior em poder de fogo. No Brasil de hoje os criminosos não têm medo da população – que não possui armas – e não têm medo da polícia – que possui armas inferiores. Tal legislação, atualizada e ampliada, encontra-se até hoje em vigor e é conhecida por atiradores esportivos e colecionares de armas por “R-105”. Deve-se dizer que, dentre os países democráticos, o Brasil é provavelmente o único onde a fiscalização e regulamentação do Tiro Esportivo e do Colecionismo de Armas são feitas pelo Exército."

               Por último, mas não menos importante, é necessário lembrar de duas célebres frases históricas, uma atribuída ao reverendo Martin Luther King e a outra do ativista dos direitos humanos (os verdadeiros), Victor Hugo, respectivamente: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons” e “Quem poupa o lobo sacrifica as ovelhas”. A sapiência destas afirmativas ensina que todo aquele que se silencia diante da injustiça, com ela compactua. Por mais que seja abjeto que os maus façam maldades e que malditos pervertidos tentem defender o indefensável, não há nada capaz de causar mais asco do que ver uma pessoa boa se calar no momento em que ela deveria estar esbravejando, pois é a inação o que desequilibra a balança do destino fazendo com que o progresso da malignidade seja tão perceptível ao ponto de quase poder ser tocado. Portanto, que as vozes do bem se façam ouvir em alto e bom som para que o sacrifício do Cabo Marcos, herói tombado, seja um marco de sanidade e um verdadeiro ponto de inflexão para livrar o Brasil da letargia diante das mais de 70.000 mortes anuais que clamam aos céus por justiça!



sábado, 17 de junho de 2017

Síndrome da Rainha Vermelha na Vida Pessoal

Série "Reflexões Pessoais", Nº 28


A "Síndrome da Rainha Vermelha" é um conceito, um postulado de sociologia, publicado na forma de livro de não-ficção pelo autor e sociólogo Marcos Rolim.

Todo o conceito da obra é pensado para ser trabalhado em cima da segurança pública brasileira e suas deficiências.

A ideia surge de uma passagem específica de personagens específicos da obra de Lewis Caroll, "Alice Através do Espelho". É sobre a frustrante sensação da personagem Alice de que quanto mais se corre, mais se fica no mesmo lugar:

"..."Vamos , Alice , corra, corra mais". Exausta com o esforço, ela se frustra quando percebe que não saiu do lugar. No mundo da Rainha Vermelha é assim mesmo. Corre-se mais e mais, para não sair do lugar. Alias, é preciso correr muito para ficar no mesmo lugar..."

Alias a metáfora que é o escopo do tema pode nos levar a refletir não só sobre a segurança pública, mas também sobre outros temas e aspectos.

Quantas vezes na vida nos pegamos sofrendo de tal Síndrome? Exatamente assim, correndo contra o tempo implacável para exatamente FICAR NO MESMO LUGAR? Somos frustrados com o bombardeamento pelas mídias diversas sobre a possibilidade de todo mundo ter "seu lugar ao Sol", como se o "sonho americano" fosse extensível para nós aqui também nas terras verde-amarelas. 

Crescemos e amadurecemos em uma bolha social e filosófica onde nos é apregoado que com o simples esforço e um "querer" conseguiremos atingir nossos objetivos utópicos: sermos ricos, famosos, e até mesmo coisas que julgamos simples, como sermos reconhecidos e amados simplesmente pelo nosso caráter e nossa honra, e não simplesmente pelo que temos ou nossa aparência externa, cor da pele, etc.

É aí que chegamos ao ponto de perceber que estamos fazendo EXATAMENTE o que Alice fez: correndo, correndo, correndo e correndo com toda força para ficar no mesmo lugar: pagar nossas contas, acordar cedo, trabalhar em uma rotina monótona e angustiantemente previsível, sustentar ego e luxúria de uma sociedade pautada pela aparência e com uma profundidade tão "grande" quanto uma piscina infantil.

E como Alice, no livro de Lewis Caroll, nós mesmo acabamos se frustrando, e exaustos pelo esforço inutilmente desenvolvido, desistimos de tentar, de ser, de criar, e passamos apenas a existir, de forma vazia e automática, como uma legião de fantasmas, vivendo a vida no "modo automático".

E com o olhar vazio "das mil jardas": NASCEMOS COMO UM MORTO E MORREMOS COMO SE NUNCA TIVÉSSEMOS NASCIDO.

"...e quando a própria vida funciona como uma máquina de destruir sonhos e padronizar almas..."




segunda-feira, 12 de junho de 2017

Quatro lições para a Vida

Série "Reflexões Pessoais", Nº 27


            Por muitas vezes eu olho para certa pessoa muito próxima a mim, que goza do meu amor, e fico angustiado pela infelicidade que é a sua vida. Já tentei negar esta realidade como uma forma patética de ser poupado da dor. Mas a verdade é que ao fazer isto jogo fora toda a tremenda oportunidade que tenho de aprender com os seus erros e subtrair um bom juízo de valor para a minha própria vida. Como disse Victor Franklin a respeito de uma das principais perguntas da filosofia, qual é o sentido da vida: “encontrar um sentido no sofrimento é conformá-lo a um determinado fim, transformando uma situação adversa numa realização pessoal, fazendo de uma tragédia um triunfo pessoal. Mas para isto devendo saber aonde quer chegar”. Como já sei aonde quero chegar, reduzir a probabilidade terrível de terminar os meus dias em situação similar a dela, este texto é um rompimento pessoal com o expediente da negação e uma forma de compartilhar as quatro boas lições que aprendi.
Primeira lição: jamais deposite em um terceiro a responsabilidade pela sua felicidade. Seja ele o seu filho, seu cônjuge, seu ascendente ou qualquer outro. O maior responsável por você sempre será você mesmo e quem não ama primeiramente a si não tem os meios necessários para amar ninguém mais. Apesar de não existirem fórmulas infalíveis para se viver bem, diante do caráter altamente subjetivo deste propósito, existem maneiras bem notórias de seguir no caminho exatamente oposto. Colocar qualquer mortal que seja como o centro gravitacional da sua vida é uma delas.
Segunda lição: a maneira mais fácil de fracassar na vida é achar culpados para as coisas que não deram certo. Afinal é impossível ser bem sucedido sem promover o auto-aperfeiçoamento através da correção de atitudes e uma pessoa que sempre culpa os outros acabará por se condenar à estagnação por causa, justamente, dos seus erros terceirizados. É claro que seria de um materialismo abjeto relacionar o sucesso na vida à existência de posses e dinheiro, sendo muito mais eficiente averiguar a satisfação que cada pessoa tem para com a sua própria realidade. Por meio desta prática fica fácil perceber que, invariavelmente, as pessoas fracassadas costumam ter uma face carregada, triste e, por vezes, agressiva para com o mundo, pois este sempre terá errado para que ela permaneça isoladamente como única pessoa certa no universo, bem como trilhando o perigoso e contraproducente caminho da própria comiseração.
Terceira lição: nem todo mundo que te ajuda é seu amigo. Na vida existem algumas pessoas dispostas a ajudar o próximo não por benevolência, mas sim para cobrar a preço de ouro até o auxílio mais irrelevante que prestaram. Como um contrato assinado com o diabo, nada menos do que a própria alma dos seus auxiliados poderá satisfazê-las. Portanto, ao meu ver, só existem três condutas dignas a se fazer perante gente dessa laia: rezar para que Deus as ajude, denunciar categoricamente os seus próprios engodos e evitar, ao máximo, cair em suas chantagens. Nem que para isto o sujeito tenha que carregar pelo resto da vida o injusto epíteto de pessoa ingrata.

Quarta lição: existem pessoas que estão acima de qualquer ajuda. Elas, obstinadamente, vão escolher a opção errada todas as vezes e por mais que queiramos auxiliá-las continuarão prejudicando a si mesmas, como também aqueles que lhes são mais próximos. Se debruçar em demasia na tentativa de resgatá-las é como aproximar-se de um buraco negro pronto para sugar e destruir qualquer objeto que se aproxime do seu horizonte de eventos. Consequentemente a conduta razoável que deve ser tomada diante de tão capciosa situação é a de ajudar sem se comprometer. Abrace a sua cruz sem deixar que ela te mate, pois permitir que a pessoa que você ama destrua a sua vida é pura e simplesmente falta de amor próprio. Isto feriria frontalmente a primeira lição exposta neste texto. Uma das poucas causas pela qual realmente vale a pena morrer é a do Homem Perfeito que carregou A Cruz pela salvação de toda a humanidade.


                   
"Le Penseur" por Auguste Rodin

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Tolos que se julgam Sábios

Série "Reflexões Pessoais", Nº 26


Eis uma pergunta para aqueles que possuem o mínimo de consciência a respeito da lastimável conjuntura intelectual em que se encontra o povo brasileiro: Dentre vocês quem não conhece alguém que, assim como graúda parte da população tupiniquim, está envolto pela mais deprimente ignorância, porém que em determinado momento teve a necessidade de aprender algo específico e, ao fazê-lo, passou a sentir-se tão superior aos demais ao ponto de colocar a si mesmo em um pedestal de arrogância e julgar-se como modelo de elevado padrão para todos os outros?
Pois bem, infelizmente a mentalidade (ou mendacidade) acadêmica no Brasil é responsável por criar um dos ambientes que formam milhares de indivíduos aptos a se portar dessa maneira. São alunos que aviltam o conhecimento ao utilizá-lo como mero meio para conseguir um fim como, por exemplo, quando desejam apenas ganhar um título que lhes possibilite prestar um concurso público (eles simplesmente ignoram o fato de que o conhecimento, per se, já deve ser o mais nobre fim para quem o estuda). Então, após realizar as suas efêmeras intenções, colocam-se como suprassumos de suas respectivas sociedades. Em síntese, pelo conhecimento meramente específico que possuem em relação aos demais populares de seus convívios julgam-se, pateticamente, superiores em todos os sentidos reais e hipotéticos. Apesar disso a grande maioria dessas pessoas costumam ser taxadas como arrogantes pelos demais, mantendo, deste modo, os seus imaginados prestígios apenas para a esfera das suas próprias imaginações.
Dos vários indivíduos com este tipo deplorável de comportamento, pouquíssimos se tornam proeminentes nas suas respectivas áreas do saber. Sujeitos diferenciados como esses não demoram a se destacar na sociedade e a serem envoltos por ignaros bajuladores que os ajudam a desenvolver uma certa quiromania narcisista entorno dos seus respectivos atributos. Estes, assim como o tipo que descrevi no parágrafo anterior, também se enxergam como modelo para sociedade, porém existem três substanciais aspectos que os diferem. Primeiro: eles são melhores naquilo que se propuseram a fazer. Segundo: em decorrência disso pensam, de maneira flagrante, que podem ou devem opinar em todos os tipos de assuntos, mesmo aqueles que fogem claramente as suas limitadas esferas de conhecimento. Terceiro: infelizmente eles costumam ser levados muito a sério pelas demais pessoas por estas não possuírem percepção suficiente para notar certos erros afirmativos que os denunciam (como a contradição), bem como por não possuírem parâmetros comparativos diretos e interesse investigativo.
Para dar um exemplo concludente desse tipo de sujeito é necessário retornar ao ambiente universitário, só que dessa vez eles não serão facilmente encontrados entre alunos, mas sim entre aqueles que exercem o magistério. Exemplos não faltam: é o professor de contabilidade que resolve interromper sua aula para falar que a legalização do aborto é necessária; é a professora de história que, após um discurso sobre justiça social para grupos LGBT, resolve passar um questionário para saber se os alunos são favoráveis a aprovação de leis mais rígidas contra a homofobia; é o palestrante que deveria falar sobre direito romano e acaba divagando sobre a importância das cotas raciais para mitigar a desigualdade social que oprime os pobres pretos desprivilegiados, etc.
É evidente que todos os exemplos acima possuem algo em comum: são pessoas que defendem os lobbies existentes na militância esquerdista atual. Por causa disso o leitor já deve estar imaginando que aqueles que o proferem são militantes do socialismo. Acontece que o presente texto não trata sobre esse tipo distinto de indivíduo que utiliza, conscientemente, uma posição privilegiada que ocupa para fazer proselitismo ideológico. Se assim o fosse, provavelmente, ao decorrer do presente já haveria citado nomes como o da Marilena Chauí, que é “professora” de filosofia da USP.
O tipo específico de professorado ao qual me refiro não são pessoas que possuem militância política alguma, entretanto são aqueles que, por possuírem um conhecimento distinto, se acham detentores de grande sabedoria e, por isso mesmo, agem como proficientes entendedores de quase todos os assuntos possíveis. Essas pessoas lêem os periódicos, assistem a palestras de certos doutores que exercem militância velada, e alguns até mesmo lêem os livros do momento que foram aprovados pelo Ministério da Educação. Tudo isso objetivando, em seguida, regurgitar para os seus despreparados alunos um monte de informações altamente tendenciosas e questionáveis até o último caractere como se fossem verdades irrefragáveis.
Então por que todos os exemplos que citei se referem à militância esquerdista? Simples: Porque no Brasil a mídia, o ambiente escolar desde o maternal até as universidades, os filmes, as novelas e tudo mais são claramente dominados pela pérfida mentalidade socialista. E não é de se estranhar que, em um país onde a oposição ao socialismo seja a sua co-irmã social democracia, isso aconteça. Logo, torna-se natural que o tolo professor acredite, pela repetição extenuativa, que tais lobbies são dogmas intocáveis e que se no mundo existe alguém capaz de contestá-los, essa deve ser uma pessoa que não estudou o suficiente ou que é mal intencionada. Frente a um contestador desse tipo o tolo propagandista se vê plenamente apto para defender aquilo que não entende, dessa forma, cumprindo o seu papel como um grande idiota útil que é.
Para esses tolos que se julgam sábios, eu encerro esse texto deixando um trecho da Bíblia Cristã que encontra-se em Provérbios, capítulo 26, versículos 11 e 12:
“Um cão que volta ao seu vômito: tal é o louco que reitera suas loucuras. 
Tu tens visto um homem que se julga sábio? Há mais a esperar de um tolo do que dele”.

                             
                                 O espantalho se achando inteligente após o Mágico de Oz lhe dar um diploma de universidade. 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Porque eu acredito em Deus

Série "Reflexões Pessoais", Nº 25



Uma pergunta que seria tão simples e ao mesmo tempo tão complexa: Porque eu acredito em Deus?

Primeiramente eu divido conceitos de forma bem clara e concisa em minha mente: Fé e Doutrina, Espiritualidade e Religião. Tais conceitos que a primeira vista poderiam ser considerados praticamente sinônimos, pra mim se opõem fortemente. Pra mim a doutrina estraga a fé, e a religião sufoca a espiritualidade.

Tendo em mente que divido claramente os conceitos retromencionados, já adianto que não sou religioso, tampouco, apesar de desnecessário dizer, sigo quaisquer doutrina de forma íntima. 

As pessoas costumam crer verdadeiramente em Deus por duas vias distintas: experiência pessoal/sobrenatural ou pela pura lógica. Desta forma, digo que minha crença em Deus, no Criador, se deu basicamente pela segunda alternativa. 

Nunca de fato pude sentir aquilo que muitos dizem sentir, e por isso cheguei a duvidar. Não poderia ter sido tão tolo.

Basicamente ao se compreender o ser humano como espécime biológico, podemos ter a noção de quão limitadas são nossas ferramentas de percepção do ambiente que nos cerca, da nossa auto-declarada "realidade". Tudo em nós é extremamente limitado, nosso cérebro nos oferece um modelo muito limitado da dita realidade para que possamos viver nossas vidas de acordo com nossos preceitos puramente biológico.

Desta forma lhes pergunto, como então que entenderíamos a lógica do Criador sendo nós mesmos a mera Criatura? Como entender a lógica de Algo que pode estar por trás da criação das próprias leis da física como conhecemos? 

É como se imaginássemos de alguma forma um computador tentando compreender o amor, ou o ódio, simplesmente não dá. O computador é criação nossa.

Não há como a Criatura entender a lógica do Criador, seria-nos muita presunção quiçá entender a sua existência ou não-existência, mesmo porque o próprio conceito de "existência" é algo muito limitado que nos é oferecido pelo nosso humilde cérebro. 

Creio em Deus, embora sou e serei sempre muito limitado para compreendê-lo.

"Somos apenas parte de um todo."





segunda-feira, 5 de junho de 2017

Ser Conservador

Série "Reflexões Pessoais", Nº 24



Ser conservador não é se posicionar no espectro oposto ao da agenda esquerdista, mas sim entender que a realidade complexa é melhor compreendida ao respeitar-se a inteligência que foi acumulada ao decorrer das gerações e que se encontra dispersa no seio da sociedade. Uma das formas de expressão de tal inteligência é, por exemplo, a tradição. 

Quem apenas age de maneira reativa em relação aos despropósitos ideológicos sempre será, no máximo, um subproduto daquilo que despreza.


"A família é a principal célula de resistência ao poder do Estado"





 


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Há Infinita Ternura

Série "Poesias e Devaneios", Nº 40


Há infinita ternura
Ante o anoitecer
Em seus olhos de pássaro ao vento
Buscando a insensatez
Das crianças

Há infinita ternura
no imenso sol de meio dia
Qual os acordes do piano
Acariciam o firmamento

Talvez um dia
As lágrimas do poeta
Sejam compreendidas
Como presságio de uma nova era

Então meu amigo
Haverá flores penduradas na porta de cada casa.
Na porta de cada casa
E as lágrimas não serão em vão 

"Veja o mundo num grão de areia, veja o céu em um campo florido,
guarde o infinito na palma da mão, e a eternidade em uma hora de vida!"

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Quando o fim chega para um Velho Pescador

Série "Poesias e Devaneios", Nº 39


Uma só metade, sou, sucintamente
Brevemente, serei novo
Logo, inteiro, descano eternamente

As ondas trazem sal
Fúria, amor, tranqüilidade
Ondas lavam sobre mim
Trazem do mar a reciprocidade

Eu não consigo entender
O sol estava tão brilhante
Esses últimos goles, aqui vou estender

Dizem que por quão longe a casa se encontra
O mar é minha terra, meu senhor
Eu encontrei, enfim, meu lugar
Serei a costa por onde a onda adentra

Meu dever já foi lido, liberto
Os gritos já foram silenciados
De onde a água encontra a terra
Na costa onde vejo o mar aberto

Morte passada,
Tempo passado, 
Vamos dormir


Dedico essa pequena poesia às pessoas que a onda já levou, mas que ficarão pra sempre em nossos corações.

V. S. Rezende *1943 † 2017
A. Ribeiro *1937 † 2017


"Tudo é passageiro. E do fim, não se escapa."



sábado, 8 de abril de 2017

Carta: "Tempo é distância"

Série "Cartas Perdidas", Nº 23


Campinas, 7 de agosto de 1998


Não sei ao certo porque lhe escrevo agora, e nem tenho tempo nem paciência mais para tal.

A questão é que de fato senti falta. E escrevo "senti falta" simplesmente, sem me referir objetivamente ao que ou à quem eu sinto de fato falta, mas deixo em aberto por exatamente não saber.

Não sei o que tem em mim que me representa uma saudade ou nostalgia tansa, mas a questão é que, sim, senti falta das cartas tolas que lhe envei um dia já, mas em um tom totalmente diferente.

Te amei demais por meio de palavras, tinta e papel, mas que poderia ter ebulido todos esses sentimentos presos aqui por outros meio, digamos, bem mais tangíveis. Sim, não devo ser tão frio e platônico a fim de falar que amava você de forma pura e te tomava como um anjo puro. Era de fato uma paixão bem mais profana que você possa imaginar, pois eu como um homem carnal te desejava em cada centímetro de pele sua, e poderia ter te devorado em êxtase, te arrancado cada gota de fôlego como uma mulher sendo um vulcão eruptivo. Ah sim, como teria!

Mas é vão falar sobre não-fatos, só devo reforçar que lhe escrevi agora porque quis tentar lembrar disso que existia em mim, e se esvaiu. Meus olhos tem ficado vazio a cada dia, semana, mês, enfim. Tenho me sentido estranho, me sinto esticado, como manteiga espalhada em um grande pedaço de pão, estou fino. Te escrevi por isso, senti falta, e sinto falta, talvez de você mesma, ou talvez daquele fogo, brilho no olhar que eu via no seu, mas que na verdade era eu mesmo. Como já me disseram uma vez, eu vejo em você o meu amor próprio, e amo você como se fosse um reflexo aperfeiçoado meu.

É disso que sinto falta, de fato, sim, ter um reflexo aperfeiçoado meu, eu perdi isso, perdi essa capacidade de ver isso em mim mesmo, mesmo que fatalmente eu tivesse outrora refletido isso em outra pessoa.

Mas isso nem importa muito, o importante é tentar dizer, pois você sumiu, não te vejo, sumiu até de meus sonhos, parece que realmente nem mesmo existiu.

Talvez no fundo eu nunca tenha deixado de te amar, mesmo que ainda ame uma sombra.


"Certas coisas são injustas e intempestivas, enfim! Devo me acostumar com esse fato, ela é desproporcional em muitos pontos."