segunda-feira, 12 de junho de 2017

Quatro lições para a Vida

Série "Reflexões Pessoais", Nº 27


            Por muitas vezes eu olho para certa pessoa muito próxima a mim, que goza do meu amor, e fico angustiado pela infelicidade que é a sua vida. Já tentei negar esta realidade como uma forma patética de ser poupado da dor. Mas a verdade é que ao fazer isto jogo fora toda a tremenda oportunidade que tenho de aprender com os seus erros e subtrair um bom juízo de valor para a minha própria vida. Como disse Victor Franklin a respeito de uma das principais perguntas da filosofia, qual é o sentido da vida: “encontrar um sentido no sofrimento é conformá-lo a um determinado fim, transformando uma situação adversa numa realização pessoal, fazendo de uma tragédia um triunfo pessoal. Mas para isto devendo saber aonde quer chegar”. Como já sei aonde quero chegar, reduzir a probabilidade terrível de terminar os meus dias em situação similar a dela, este texto é um rompimento pessoal com o expediente da negação e uma forma de compartilhar as quatro boas lições que aprendi.
Primeira lição: jamais deposite em um terceiro a responsabilidade pela sua felicidade. Seja ele o seu filho, seu cônjuge, seu ascendente ou qualquer outro. O maior responsável por você sempre será você mesmo e quem não ama primeiramente a si não tem os meios necessários para amar ninguém mais. Apesar de não existirem fórmulas infalíveis para se viver bem, diante do caráter altamente subjetivo deste propósito, existem maneiras bem notórias de seguir no caminho exatamente oposto. Colocar qualquer mortal que seja como o centro gravitacional da sua vida é uma delas.
Segunda lição: a maneira mais fácil de fracassar na vida é achar culpados para as coisas que não deram certo. Afinal é impossível ser bem sucedido sem promover o auto-aperfeiçoamento através da correção de atitudes e uma pessoa que sempre culpa os outros acabará por se condenar à estagnação por causa, justamente, dos seus erros terceirizados. É claro que seria de um materialismo abjeto relacionar o sucesso na vida à existência de posses e dinheiro, sendo muito mais eficiente averiguar a satisfação que cada pessoa tem para com a sua própria realidade. Por meio desta prática fica fácil perceber que, invariavelmente, as pessoas fracassadas costumam ter uma face carregada, triste e, por vezes, agressiva para com o mundo, pois este sempre terá errado para que ela permaneça isoladamente como única pessoa certa no universo, bem como trilhando o perigoso e contraproducente caminho da própria comiseração.
Terceira lição: nem todo mundo que te ajuda é seu amigo. Na vida existem algumas pessoas dispostas a ajudar o próximo não por benevolência, mas sim para cobrar a preço de ouro até o auxílio mais irrelevante que prestaram. Como um contrato assinado com o diabo, nada menos do que a própria alma dos seus auxiliados poderá satisfazê-las. Portanto, ao meu ver, só existem três condutas dignas a se fazer perante gente dessa laia: rezar para que Deus as ajude, denunciar categoricamente os seus próprios engodos e evitar, ao máximo, cair em suas chantagens. Nem que para isto o sujeito tenha que carregar pelo resto da vida o injusto epíteto de pessoa ingrata.

Quarta lição: existem pessoas que estão acima de qualquer ajuda. Elas, obstinadamente, vão escolher a opção errada todas as vezes e por mais que queiramos auxiliá-las continuarão prejudicando a si mesmas, como também aqueles que lhes são mais próximos. Se debruçar em demasia na tentativa de resgatá-las é como aproximar-se de um buraco negro pronto para sugar e destruir qualquer objeto que se aproxime do seu horizonte de eventos. Consequentemente a conduta razoável que deve ser tomada diante de tão capciosa situação é a de ajudar sem se comprometer. Abrace a sua cruz sem deixar que ela te mate, pois permitir que a pessoa que você ama destrua a sua vida é pura e simplesmente falta de amor próprio. Isto feriria frontalmente a primeira lição exposta neste texto. Uma das poucas causas pela qual realmente vale a pena morrer é a do Homem Perfeito que carregou A Cruz pela salvação de toda a humanidade.


                   
"Le Penseur" por Auguste Rodin

Um comentário:

Eduardo Costa disse...

A vida é uma sucessão de batalhas, lutas, dificuldades e muitos outros desafios, não há um só ser humano neste mundo capaz de viver durante seu curto período de existência sem ter, pelo menos uma vez, momentos de turbulência, daqueles que para quem os presencia, parece ser o fim da linha.

A sensação de paz é um atrigo de luxo, quase impossível e quando a sentimos, é algo temporário ou apenas um sinal de que pior pode acontecer. Considero a paz em si, privilégio dos mortos, somente eles são vizinhos do sossego e da
tranquilidade, mas para os vivos, é algo complexo, mesmo que não seja desejo dos seres humanos, constantemente todos são acometidos por momentos de tormenta.